800 questões sobre Interpretação de texto.

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800 questões sobre Interpretação de texto.

Mensagem por André Carvalho em Qui Ago 07, 2014 9:31 am

Interpretação de Textos

TEORIA e 800 QUESTÕES COMENTADAS

PROVAS E CONCURSOS

Interpretação de Textos

TEORIA E 800 QUESTÕES COMENTADAS

6ª EDIÇÃO

Apresentação

NÃO DEIXE DE LER!

A interpretação de textos, tão comum em provas de Português, sempre foi um martírio para os alunos ou candidatos a concursos públicos ou vestibulares.

A dificuldade é geral e, com certeza, oriunda da falta de treinamento. As pessoas têm pouca disposição de mergulhar no texto; elas conseguem, obviamente, lê-lo, mas não aprofundam a leitura, não extraem dele aquelas informações que uma leitura superficial, apressada, não permite.

Ao tentar resolver o problema, as pessoas buscam os materiais que julgam poder ajudá-las. Caem, então, no velho vício de ler teoria em excesso, estudar coisas que nem sempre dizem respeito à compreensão e interpretação dos textos. Cansadas, não fazem o essencial: ler uma grande quantidade de textos — e tentar interpretá-los.

Este livro que chega às suas mãos é extremamente prático. A teoria apresentada é pequena, mas deve ser estudada com boa vontade e disposição de aprender. Depois, você vai encontrar uma enorme quantidade de textos, 112, para ser preciso. São 815 questões, mais de 4000 itens, todos comentados.

Fundamental é que você os leia na ordem em que são apresentados, resolvendo com atenção máxima as questões propostas. Começa-se por textos muito curtos, uma ou duas linhas, e vai-se aumentando, tanto em tamanho quanto em dificuldade. Cabe ainda ressaltar que não tivemos a preocupação de distinguir interpretação de compreensão. Levando-se em conta o objetivo da obra, isso seria absolutamente inútil.

Não tenha medo da interpretação de textos. Como qualquer outra atividade intelectual, ela pede paciência e boa vontade. Não tente fazer apressadamente, pois isso prejudicará o seu estudo. Talvez o mais difícil seja começar. Depois, acredite, vem o progresso, objetivo maior de todos nós.

O Autor

Sumário

Parte 1 GENERALIDADES 1

Capítulo 1 Explicações preliminares 2

Capítulo 2 Denotação e conotação. Figuras 6

Capítulo 3 Coesão e coerência. Conectores 14

Capítulo 4 Tipologia textual 27

Capítulo 5 Significação das palavras 31

Capítulo 6 A prática 37

Parte 2 INTERPRETAÇÃO I 42

Parte 3 INTERPRETAÇÃO II 119

Parte 4 GABARITO E COMENTÁRIOS 327

Gabarito 328

Comentários 330

BIBLIOGRAFIA 452

PARTE IGENERALIDADES

CAPÍTULO 1EXPLICAÇÕES PRELIMINARES

I) Para interpretar bem

Todos têm dificuldades com interpretação de textos. Encare isso como algo normal, inevitável. Importante é enfrentar o problema e, com segurança, progredir. Aliás, progredir muito. Leia com atenção os itens abaixo.

1) Desenvolva o gosto pela leitura. Leia de tudo: jornais, revistas, livros, textos publicitários, listas telefônicas, bulas de remédios etc. Enfim, tudo o que estiver ao seu alcance. Mas leia com atenção, tentando, pacientemente, apreender o sentido. O mal é “ler por ler”, para se livrar.

2) Aumente o seu vocabulário. Os dicionários são amigos que precisamos consultar. Faça exercícios de sinônimos e antônimos. (Consulte o nosso Redação para Concursos, que tem uma seção dedicada a isso.)

3) Não se deixe levar pela primeira impressão. Há textos que metem medo. Na realidade, eles nos oferecem um mundo de informações que nos fornecerão grande prazer interior. Abra sua mente e seu coração para o que o texto lhe transmite, na qualidade de um amigo silencioso.

4) Ao fazer uma prova qualquer, leia o texto duas ou três vezes, atentamente, antes de tentar responder a qualquer pergunta. Primeiro, é preciso captar sua mensagem, entendê-lo como um todo, e isso não pode ser alcançado com uma simples leitura. Dessa forma, leia-o algumas vezes. A cada leitura, novas idéias serão assimiladas. Tenha a paciência necessária para agir assim. Só depois tente resolver as questões propostas.

5) As questões de interpretação podem ser localizadas (por exemplo, voltadas só para um determinado trecho) ou referir-se ao conjunto, às idéias gerais do texto. No primeiro caso, leia não apenas o trecho (às vezes uma linha) referido, mas todo o parágrafo em que ele se situa. Lembre-se: quanto mais você ler, mais entenderá o texto. Tudo é uma questão de costume, e você vai acostumar-se a agir dessa forma. Então - acredite nisso - alcançará seu objetivo.

6) Há questões que pedem conhecimento fora do texto. Por exemplo, ele pode aludir a uma determinada personalidade da história ou da atualidade, e ser cobrado do aluno ou candidato o nome dessa pessoa ou algo que ela tenha feito. Por isso, é importante desenvolver o hábito da leitura, como já foi dito. Procure estar atualizado, lendo jornais e revistas especializadas.

II) Paráfrase

Chama-se paráfrase a reescritura de um texto sem alteração de sentido. Questões de interpretação com freqüência se baseiam nesse conhecimento, nessa técnica. Vários recursos podem ser utilizados para parafrasear um texto.

1) Emprego de sinônimos.

Ex.: Embora voltasse cedo, deixava os pais preocupados.

Conquanto retornasse cedo, deixava os genitores preocupados.

2) Emprego de antônimos, com apoio de uma palavra negativa.

Ex.: Ele era fraco.

Ele não era forte.

3) Utilização de termos anafóricos, isto é, que remetem a outros já citados no texto.

Ex.: Paulo e Antônio já saíram. Paulo foi ao colégio; Antônio, ao cinema.

Paulo e Antônio já saíram. Aquele foi ao colégio; este, ao cinema.

Aquele = Paulo

este = Antônio

4) Troca de termo verbal por nominal, e vice-versa.

Ex.: É necessário que todos colaborem.

É necessária a colaboração de todos.

Quero o respeito do grupo.

Quero que o grupo me respeite.

5) Omissão de termos facilmente subentendidos.

Ex.: Nós desejávamos uma missão mais delicada, mais importante.

Desejávamos missão mais delicada e importante.

6) Mudança de ordem dos termos no período.

Ex.: Lendo o jornal, cheguei à conclusão de que tudo aquilo seria esquecido após três ou quatro meses de investigação.

Cheguei à conclusão, lendo o jornal, de que tudo aquilo, após três ou quatro meses de pesquisa, seria esquecido.

7) Mudança de voz verbal

Ex.: A mulher plantou uma roseira em seu jardim. (voz ativa)

Uma roseira foi plantada pela mulher em seu jardim. (voz passiva analítica)

Obs.: Se o sujeito for indeterminado (verbo na 3ª pessoa do plural sem o sujeito expresso na frase), haverá duas mudanças possíveis.

Ex.: Plantaram uma roseira. (voz ativa)

Uma roseira foi plantada. (voz passiva analítica)

Plantou-se uma roseira. (voz passiva sintética)

Cool Troca de discurso

Ex.: Naquela tarde, Pedro dirigiu-se ao pai dizendo: - Cortarei a grama sozinho. (discurso direto)

Naquela tarde, Pedro dirigiu-se ao pai dizendo que cortaria a grama sozinho. (discurso indireto)

9) Troca de palavras por expressões perifrásticas (vide perífrase, no capítulo seguinte) e vice-versa

Ex.: Castro Alves visitou Paris naquele ano.

O poeta dos escravos visitou a cidade luz naquele ano.

10) Troca de locuções por palavras e vice-versa:

Ex.: O homem da cidade não conhece a linguagem do céu.

O homem urbano não conhece a linguagem celeste.

Da cidade e do céu são locuções adjetivas e correspondem aos adjetivos urbano e celeste. É importante conhecer um bom número de locuções adjetivas. Consulte o assunto em nosso livro Redação para Concursos.

Numa paráfrase, vários desses recursos podem ser utilizados concomitantemente, além de outros que não foram aqui referidos, mas que a prática nos apresenta. O importante é ler com extrema atenção o trecho e suas possíveis paráfrases. Se perceber mudança de sentido, a reescritura não pode ser considerada uma paráfrase. Há muitas questões de provas baseadas nisso.

Vamos então fazer um exercício. Leia com atenção o trecho abaixo e anote a alternativa em que não ocorre uma paráfrase.

O homem caminha pela vida muitas vezes desnorteado, por não reconhecer no seu íntimo a importância de todos os instantes, de todas as coisas, simples ou grandiosas.

a) Freqüentemente sem rumo, segue o homem pela vida, por não reconhecer no seu íntimo o valor de todos os instantes, de todas as coisas, sejam simples ou grandiosas.

b) Não reconhecendo em seu âmago a importância de todos os momentos, de todas as coisas, simples ou grandiosas, o homem caminha pela vida muitas vezes desnorteado.

c) Como não reconhece no seu íntimo o valor de todos os momentos, de todas as coisas, sejam elas simples ou não, o homem vai pela vida freqüentemente desnorteado.

d) O ser humano segue, com freqüência, vida afora, sem rumo, porquanto não reconhece, em seu interior, a importância de todos os instantes, de todas as coisas, simples ou grandiosas.

e) O homem caminha pela vida sempre desnorteado, por não reconhecer, em seu mundo íntimo, o valor de cada momento, de cada coisa, seja ela simples ou grandiosa.

O trecho foi reescrito cinco vezes. Utilizaram-se vários recursos. Em quatro opções, o sentido é rigorosamente o mesmo. Tal fato não se dá, porém, na letra e, que seria o gabarito. O texto original diz que “o homem caminha pela vida muitas vezes desnorteado...”, contudo a reescritura nos diz “sempre desnorteado”. Ora, muitas vezes é uma coisa, sempre é outra, bem diferente.

Observações

a) Tenha cuidado com a mudança de posição dos termos dentro da frase. Palavras ou expressões podem alterar profundamente o sentido de um texto.

Ex.: Encontrei determinadas pessoas naquela cidade.

Encontrei pessoas determinadas naquela cidade.

Na primeira frase, determinadas é um pronome indefinido, equivalente a certas, umas, algumas; na segunda, é um adjetivo e significa decididas.

b) Cuidado também com a pontuação, que costuma passar despercebida.

Ex.: A criança agitada corria pelo quintal.

A criança, agitada, corria pelo quintal.

Na primeira frase, o adjetivo agitada indica uma característica da criança, algo inerente a ela, isto é, trata-se de uma pessoa sempre agitada. Na segunda, as vírgulas indicam que a criança está agitada naquele momento, sem que necessariamente ela o seja no seu dia-a-dia.

CAPÍTULO 2DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO. FIGURAS

I) Denotação

Consultando o dicionário Houaiss, encontramos para a palavra jóia as seguintes definições:

1 objeto de metal precioso finamente trabalhado, em que muitas vezes se engastam pedras preciosas, pérolas etc. ou a que é aplicado esmalte, us. como acessório de vestuário, adorno de cabeça, pescoço, orelhas, braços, dedos etc.

2 Pedra preciosa de grande valor.

3 p. ext. qualquer objeto caro e trabalhado com arte (estatueta, relógio, cofre, vaso etc).

As definições são claras, precisas. Todas giram em torno de um objeto de valor. A partir dessas definições, podemos criar frases com muita segurança.

Ex.: Essa jóia em seu pescoço está há várias gerações em nossa família.

O rubi é uma jóia que encanta meus olhos.

Aquele vaso, provavelmente chinês, é uma jóia de raro acabamento.

A palavra jóia, presente nas três frases citadas, foi empregada em seus sentidos reais, primitivos. A isso se dá o nome de denotação.

II) Conotação

Voltando ao dicionário citado, encontramos na seqüência da leitura o seguinte:

4 fig. pessoa ou coisa muito boa e querida (sua sobrinha é uma jóia.

O próprio dicionarista nos dá um exemplo. Vejamos outras frases abaixo.

Ela é uma jóia de menina.

Que jóia esse cachorrinho!

Minha irmã se tornou uma jóia muito especial.

Observe que, em todas as frases, a palavra jóia extrapolou o sentido original de objeto caro. Ela está se referindo a pessoas e animais, que, na realidade, não podem ser jóias, se levarmos em conta o sentido denotativo do termo. Há uma comparação implícita em cada frase: bonito ou bonita como uma jóia. Dizemos então que se trata de conotação.

Vamos comparar as duas frases abaixo:

Comi uma fruta deliciosa.

Ela escreveu uma frase deliciosa.

Na primeira, o adjetivo deliciosa está empregado denotativamente, pois indica o gosto agradável da fruta; trata-se do sentido real do termo. Na segunda, o adjetivo não pode ser entendido “ao pé da letra”, uma vez que frase não tem gosto, não tem sabor. É um emprego especial, estilístico da palavra deliciosa. Assim, ela está usada conotativamente.

Muitas vezes, as perguntas de interpretação se voltam para o emprego denotativo ou conotativo dos vocábulos. E mais: o entendimento global do texto pode depender disso. Leia-o, pois, com atenção. A leitura atenta é tudo.

III) Figuras de linguagem

As figuras constituem um recurso especial de construção, valorizando e embelezando o texto. Há questões de provas, inclusive em concursos públicos, que cobram, direta ou indiretamente, o emprego adequado da linguagem figurada. Vejamos as mais importantes, que você não pode desconhecer. Elas não serão, aqui, agrupadas de acordo com sua natureza: de palavras, de pensamento e de sintaxe. Não há importância nessa distinção, para interpretarmos um texto.

1) Comparação ou simile

Consiste, como o próprio nome indica, em comparar dois seres, fazendo uso de conectivos apropriados.

Ex.: Esse liqüido é azedo como limão.

A jovem estava branca qual uma vela.

2) Metáfora

Tipo de comparação em que não aparecem o conectivo nem o elemento comum aos seres comparados.

Ex.: “Minha vida era um palco iluminado...” (Minha vida era alegre, bonita etc. como um palco iluminado.)

Tuas mãos são de veludo. (Entenda-se: mãos macias como o veludo)

“A vida, manso lago azul...” (Júlio Salusse)

(Neste exemplo, nem o verbo aparece, mas é clara a idéia da comparação: a vida é suave, calma como um manso lago azul.)

3) Metonímia

Troca de uma palavra por outra, havendo entre elas uma relação real, concreta, objetiva. Há vários tipos de metonímia.

Ex.: Sempre li Érico Veríssimo, (o autor pela obra)

Ele nunca teve o seu próprio teto. (a parte pelo todo)

Cuidemos da infância. (o abstrato pelo concreto: infância / crianças)

Comerei mais um prato. (o continente pelo conteúdo)

Ganho a vida com meu suor. (o efeito pela causa)

4) Hipérbole

Consiste em exagerar as coisas, extrapolando a realidade.

Ex.: Tenho milhares de coisas para fazer.

Estava quase estourando de tanto rir.

Vive inundado de lágrimas.

5) Eufemismo

É a suavização de uma idéia desagradável. Chamado de linguagem diplomática.

Ex.: Minha avozinha descansou. (morreu)

Ele tem aquela doença. (câncer)

Você não foi feliz com suas palavras. (foi estúpido, grosseiro)

6) Prosopopéia ou personificação

Consiste em se atribuir a um ser inanimado ou a um animal ações próprias dos seres humanos.

Ex. A areia chorava por causa do calor.

As flores sorriam para ela.

7) Pleonasmo

Repetição enfática de um termo ou de uma idéia.

Ex.: O pátio, ninguém pensou em lavá-lo. (lo = O pátio)

Vi o acidente com olhos bem atentos. (Ver só pode ser com os olhos.)

Cool Anacoluto

É a quebra da estruturação sintática, de que resulta ficar um termo sem função sintática no período. É parecido com um dos tipos de pleonasmo.

Ex.: O jovem, alguém precisa falar com ele.

Observe que o termo O jovem pode ser retirado do texto. Ele não se encaixa sintaticamente no período. Caso disséssemos Com o jovem, teríamos um pleonasmo: com o jovem = com ele.

9) Antítese

Emprego de palavras ou expressões de sentido oposto.

Ex.: Era cedo para alguns e tarde para outros.

“Não és bom, nem és mau: és triste e humano.” (Olavo Bilac)

10) Sinestesia

Consiste numa fusão de sentidos.

Ex.: Despertou-me um som colorido. (audição e visão)

Era uma beleza fria. (visão e tato)

11) Catacrese

É a extensão de sentido que sofrem determinadas palavras na falta ou desconhecimento do termo apropriado. Essa extensão ocorre com base na analogia. Por isso, ela é uma variação da metáfora.

Ex.: Leito do rio. Dente de alho. Barriga da perna. Céu da boca.

Curiosas são as catacreses constituídas por verbos: embarcar num trem, enterrar uma agulha no dedo etc. Embarcar é entrar no barco, não no trem; enterrar é entrar na terra, não no dedo.

12) Hipálage

Adjetivação de um termo em vez de outro.

Ex.: O nado branco dos cisnes o fascinou, (brancos são os cisnes)

Acompanhava o vôo negro dos urubus, (negros são os urubus)

13) Quiasmo

Ao mesmo tempo repetição e inversão de termos, podendo haver algumas alterações.

Ex.: “No meio do caminho tinha uma pedra tinha uma pedra no meio do caminho “(C. D. Andrade)

“Vinhas fatigada e triste, e triste e fatigado eu vinha.” (Olavo Bilac)

14) Silepse

Concordância anormal feita com a idéia que se faz do termo e não com o próprio termo. Pode ser:

a) de gênero

Ex.: V Sa é bondoso.

A concordância normal seria bondosa, já que V. Sa é do gênero feminino. Fez-se a concordância com a idéia que se possui, ou seja, trata-se de um homem.

b) de número

Ex.: O grupo chegou apressado e conversavam em voz alta.

O segundo verbo do período deveria concordar com grupo.

Mas a idéia de plural contida no coletivo leva o falante a botar o verbo no plural: conversavam. Tal concordância anormal não deve ser feita com o primeiro verbo.

c) de pessoa.

Ex.: Os brasileiros somos otimistas.

Em princípio, dir-se-ia são, pois o sujeito é de terceira pessoa do plural. Mas, por estar incluído entre os brasileiros, é possível colocar o verbo na primeira pessoa: somos.

15) Perífrase

Emprego de várias palavras no lugar de poucas ou de uma só.

Ex.: “Se lá no assento etéreo onde subiste...” (Camões)

assento etéreo = céu.

Morei na Veneza brasileira.

Veneza brasileira = Recife

Não provoque o rei dos animais.

rei dos animais = leão.

Obs.: Questões que envolvem perífrase pedem, freqüentemente, conhecimento independente do texto.

16) Assíndeto

Ausência de conectivo. É um tipo especial de elipse, que é a omissão de qualquer termo.

Ex.: Entrei, peguei o livro, fui para a rede.

Ligando as duas últimas orações, deveria aparecer a conjunção e.

17) Polissíndeto

Repetição da conjunção, geralmente e.

Ex.: “Trejeita, e canta, e ri nervosamente.” (Padre Antônio Tomás)

“E treme, e cresce, e brilha, e afia o ouvido, e escuta.” (Olavo Bilac)

18) Zeugma

Omissão de um termo, geralmente verbo, empregado anteriormente. Variação da elipse.

Ex.: “A moral legisla para o homem; o direito, para o cidadão.” (Tomás Ribeiro)

“São estas as tradições das nossas linhagens; estes os exemplos de nossos avós.” (Herculano)

Obs.:Na primeira frase, está subentendida a forma verbal legisla; na segunda, são.

19) Apóstrofe

Chamamento, invocação de alguém ou algo, presente ou ausente. Corresponde ao vocativo da análise sintática.

Ex.: “Deus! ó Deus! onde estás que não respondes?!” (Castro Alves)

“Erguei-vos, menestréis, das púrpuras do leito!” (Guerra Junqueiro)

20) Ironia

Consiste em dizer-se o contrário do que se quer. É figura muito importante para a interpretação de textos.

Ex.: “Moça linda bem tratada, três séculos de família, burra como uma porta, um amor.” (Mário de Andrade)

Observe que, após chamar a moça de burra, o poeta encerra a estrofe com um aparente elogio: um amor.

21) Hipérbato

É a inversão da ordem dos termos na oração ou das orações no período.

Ex.: “Aberta em par estava a porta.” (Almeida Garrett)

“Essas que ao vento vêm

Belas chuvas de junho!” (Joaquim Cardozo)

22) Anástrofe

Variante do hipérbato. Consiste em se inverter a ordem natural existente entre o termo determinado (principal) e o determinante (acessório).

Ex.: Sentimos do vento a carícia.

Determinado: a carícia

Determinante: do vento

Obs.: Nem sempre é simples a distinção entre hipérbato e anástrofe. Há certa discordância entre os especialistas do assunto.

23) Onomatopéia

Palavra que imita sons da natureza.

Ex.: O ribombar dos canhões nos assustava.

Não agüentava mais aquele tique-taque insistente.

“Não se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic da agulha no pano.” (Machado de Assis)

24) Aliteração

Repetição de fonemas consonantais.

Ex.: Nem toda tarefa é tão tranqüila.

“Ruem por terra as emperradas portas.” (Bocage)

“Os teus grilhões estrídulos estalam.” (Raimundo Correia)

Obs.: Nos dois últimos exemplos, as aliterações procuram reproduzir, sons naturais, constituindo-se também em onomatopéias.

25) Enálage

Troca de tempos verbais.

Ex.: Se você viesse, ganhava minha vida mais entusiasmo,

Agora que murcharam teus loureiros

Fora doce em teu seio amar de novo.” (Álvares de Azevedo)

Obs.: Na primeira frase, ganhava está no lugar de ganharia; na segunda, fora substitui seria.

CAPÍTULO 3COESÃO E COERÊNCIA. CONECTORES

I) Coesão e coerência

O texto é um conjunto harmônico de elementos, associados entre si por processos de coordenação ou subordinação. Os fonemas (sons da fala), representados graficamente pelas letras, se unem constituindo as palavras. Estas, por sua vez, ligam-se para formar as orações, que passam a se agrupar constituindo os períodos. A reunião de períodos dá origem aos parágrafos. Estes também se unem, e temos então o conjunto final, que é o texto.

No meio de tudo isso, há certos elementos que permitem que o texto seja inteligível, com suas partes devidamente relacionadas. Se a ligação entre as partes do texto não for bem feita, o sentido lógico será prejudicado. Observe atentamente o trecho seguinte.

Levantamos muito cedo. Fazia frio e a água havia congelado nas torneiras. Até os animais, acostumados com baixas temperaturas, permaneciam, preguiçosamente, em suas tocas. Apesar disso, deixamos de fazer nossa caminhada matinal com as crianças.

O trecho é composto por vários períodos, agrupados em dois segmentos distintos. No primeiro, fala-se do frio intenso e suas conseqüências; no segundo, a decisão de não fazer a caminhada matinal. O que aparece para fazer a ligação entre esses dois segmentos? A locução apesar disso. Ora, esse termo tem valor concessivo, liga duas coisas contraditórias, opostas; mas o que segue a ele é uma conseqüência do frio que fazia naquela manhã. Dessa forma, no lugar de apesar disso, deveríamos usar por isso, por causa disso, em virtude disso etc.

Conclui-se o seguinte: as partes do texto não estavam devidamente ligadas. Diz-se então que faltou coesão textual.

Conseqüentemente, o trecho ficou sem coerência, isto é, sem sentido lógico.

Resumindo, podemos dizer que a coesão é a ligação, a união entre partes de um texto; coerência é o sentido lógico, o nexo.

II) Elementos conectores

É extremamente importante, para que se penetre no texto, uma noção segura dos recursos de que a língua dispõe para estabelecer a coesão textual. Aliás, esse termo é ainda mais amplo: qualquer vínculo estabelecido entre as palavras, as orações, os períodos ou os parágrafos podemos chamar de coesão. Toda palavra ou expressão que se refere a coisas passadas no texto, ou mesmo às que ainda virão, são elementos conectores. Os termos a que eles se referem podem ser chamados de referentes. Muita atenção, pois, com os conectores. Eis os mais importantes:

1) Pronomes pessoais, retos ou oblíquos

Ex.: Meu filho está na escola. Ele tem uma prova hoje.

Ele = meu filho (referente)

Carlos trouxe o memorando e o entregou ao chefe.

O = memorando (referente)

2) Pronomes possessivos

Ex.: Pedro, chegou a sua maior oportunidade.

Sua = Pedro (de Pedro)

3) Pronomes demonstrativos

Os demonstrativos estão entre os mais importantes conectores da língua portuguesa. Freqüentemente se criam questões de interpretação ou compreensão com base em seu emprego. Veja os casos seguintes.

a) O filho está demorando, e isso preocupa a mãe.

Isso = O filho está demorando.

b) Isto preocupa a mãe: o filho está demorando.

Isto = o filho está demorando.

Parecidos, não é mesmo? A diferença é que isso (esse, esses, essa, essas) é usado para fazer referência a coisas ou fatos passados no texto. Isto (este, estes, esta, estas) refere-se a coisas ou fatos que ainda aparecerão. Embora se faça uma certa confusão hoje em dia, o seu emprego adequado é exatamente o que acabamos de expor.

c) O homem e a mulher estavam sorrindo. Aquele porque foi promovido; esta por ter recebido um presente.

Aquele = homem

esta = mulher

Temos aqui uma situação especial de coesão: evitar a repetição de termos por meio do emprego de este (estes, esta, estas) e aquele (aqueles, aquela, aquelas). Não se usa, aqui, o pronome esse (esses, essa, essas). Com relação ao exemplo, a palavra aquele refere-se ao termo mais afastado (homem), enquanto esta, ao mais próximo (mulher). Semelhante correlação também pode ser feita com numerais (primeiro e segundo) ou com pronomes indefinidos (um e outro).

4) Pronomes indefinidos

Ex.: Naquela época, os homens, as mulheres, as crianças, todos acreditavam na vitória.

todos = homens, mulheres, crianças

5) Pronomes relativos

Ex.: Havia ali pessoas que me ajudavam.

que = pessoas

No caso do pronome relativo, o seu referente costuma ser chamado de antecedente.

6) Pronomes interrogativos

Ex.: Quem será responsabilizado? O rapaz do almoxarifado, por não ter conferido os materiais.

Quem = rapaz do almoxarifado

7) Substantivos

Ex.: José e Helena chegaram de férias. Crianças ainda, não entendem o que aconteceu com o professor.

Crianças = José e Helena

Cool Advérbios

Ex.: A faculdade ensinou-o a viver. Lá se tornou um homem.

Lá = faculdade

9) Preposições

As preposições ligam palavras dentro de uma mesma oração. Em casos excepcionais, ligam duas orações. Elas não possuem referentes no texto, simplesmente estabelecem vínculos.

Ex.: Preciso de ajuda.

Morreu de frio.

Nas duas frases, a preposição liga um verbo a um substantivo. Na primeira, em que introduz um objeto indireto (complemento verbal com preposição exigida pelo verbo), ela é destituída de significado. Diz-se que tem apenas valor relacional. Na segunda, em que introduz um adjunto adverbial, ela possui valor semântico ou nocional, uma vez que a expressão que ela inicia tem um valor de causa. Veja, a seguir, os principais valores semânticos das preposições.

• De causa

Ex.: Perdemos tudo com a seca.

• De matéria

Ex.: Trouxe copos de papel.

• De assunto

Ex.: Falavam de política.

• De fim ou finalidade

Ex.: Vivia para o estudo.

• De meio

Ex.: Falaram por telefone.

• De instrumento

Ex.: Feriu-se com a tesoura.

• De condição

Ex.: Ele não vive sem feijão.

• De posse

Ex.: Achei o livro de André.

• De modo

Ex.: Agiu com tranqüilidade.

• De tempo

Ex.: Retornaram de manhã.

• De companhia

Ex.: Passeou com a irmã.

• De afirmação

Ex.: Irei com certeza.

• De lugar

Ex.: Ele veio de casa.

10) Conjunções e locuções conjuntivas

Conjunção é a palavra que liga duas orações ou, em poucos casos, dois elementos de mesma natureza. Pode-se entender também como a palavra que introduz uma oração, que pode ser coordenada ou subordinada. Não vai nos interessar aqui essa distinção. Se desejar, consulte o nosso livro Português para Concursos.

É sumamente importante para a interpretação e a compreensão de textos o conhecimento das conjunções e locuções correspondentes.

Chamaremos a todas, simplesmente, conjunções.

Da mesma forma que as preposições, as conjunções não têm referentes propriamente ditos. Cumpre reconhecer o valor de cada uma, para que se entenda o sentido das orações em português e, conseqüentemente, do texto em que elas aparecem.

Conjunções coordenativas

São as que iniciam orações coordenadas. Podem ser:

1) Aditivas: estabelecem uma adição, somam coisas ou orações de mesmo valor.

Principais conjunções: e, nem, mas também, como também, senão também, como, bem como, quanto.

Ex.: Fechou a porta e foi tomar café.

Não trabalha nem estuda.

Tanto lê como escreve.

Não só pintava, mas também fazia versos.

Não somente lavou, como também escovou os cães.

2) Adversativas: estabelecem idéias opostas, contrastantes.

Principais conjunções: mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto, não obstante, senão, que.

Ex.: Correu muito, mas não se cansou.

As árvores cresceram, porém não estão bonitas.

Falou alto, todavia ninguém escutou.

Chegamos com os alimentos, no entanto não estavam com fome.

Não o culpo, senão a você.

Peça isso a outra pessoa, que não a mim.

Observações

a) Em todas as frases há idéia de oposição. Se a pessoa corre muito, deve ficar cansada. A palavra mas introduz uma oração que contraria isso. O mesmo ocorre com as outras conjunções e suas respectivas orações.

b) Às vezes, a palavra e, normalmente aditiva, assume valor adversativo.

Ex.: Fiz muito esforço e nada consegui, (mas nada consegui)

3) Conclusivas: estabelecem conclusões a partir do que foi dito inicialmente.

Principais conjunções: logo, portanto, por conseguinte, pois (colocada depois do verbo), por isso, então, assim, em vista disso.

Ex.: Chegou muito cedo, logo não perdeu o início do espetáculo.

Todos foram avisados, portanto não procedem as reclamações.

É bastante cuidadoso; consegue, pois, bons resultados.

Estava desanimado, por conseguinte deixou a empresa.

É trabalhador, então só pode ser honesto.

4) Alternativas: ligam idéias que se alternam ou mesmo se excluem.

Principais conjunções: ou, ou...ou, ora...ora, já...já, quer...quer.

Ex.: Faça sua parte, ou procure outro emprego.

Ora narrava, ora comentava.

“Já atravessa as florestas, já chega aos campos do Ipu.” (José de Alencar)

5) Explicativas: explicam ou justificam o que se diz na primeira oração.

Principais conjunções: porque, pois, que, porquanto.

Ex.: Chorou muito, porque os olhos estão inchados.

Choveu durante a madrugada, pois o chão está alagado.

Volte logo, que vai chover.

Era uma criança estudiosa, porquanto sempre tirava boas notas.

Observações

a) Essas conjunções também podem iniciar orações subordinadas causais, como veremos adiante.

b) Depois de imperativo, elas só podem ser coordenativas explicativas, como no terceiro exemplo.

Conjunções subordinativas

São as que iniciam as orações subordinadas. Podem ser:

1) Causais: iniciam orações que indicam a causa do que está expresso na oração principal.

Principais conjunções: porque, pois, que, porquanto, já que, uma vez que, como, visto que, visto como.

Ex.: O gato miou porque pisei seu rabo.

Estava feliz pois encontrou a bola.

Triste que estava, não quis passear.

Já que me pediram, vou continuar.

Visto que vai chover, sairemos agora mesmo.

Como fazia frio, pegou o agasalho.

2) Condicionais: introduzem orações que estabelecem uma condição para que ocorra o que está expresso na oração principal.

Principais conjunções: se, caso, desde que, a menos que, salvo se, sem que, contanto que, dado que, uma vez que.

Ex.: Explicarei a situação, se isso for importante para todos.

Caso me solicitem, escreverei uma nova carta.

Você será aprovado, desde que se esforce mais.

Sem que digas a verdade, não poderemos prosseguir.

Contanto que todos participem da reunião, os projetos serão apresentados.

Uma vez que ele tente, poderá alcançar o objetivo.

3) Concessivas: começam orações com valor de concessão, isto é, idéia contrária à da oração principal. Cuidado especial com essas conjunções! Elas são bastante cobradas em questões de provas.

Principais conjunções: embora, ainda que, mesmo que, conquanto, posto que, se bem que, por mais que, por menos que, suposto que, apesar de que, sem que, que, nem que.

Ex.: Embora gritasse, não foi atendido.

Perderia a condução mesmo que acordasse cedo.

Conquanto estivesse com dores, esperou pacientemente.

Posto que me tenham convidado com insistência, não quis participar.

Por mais que tentem explicar, o caso continua confuso.

Sem que tenha grandes virtudes, é adorado por todos.

Doente que estivesse, participaria da maratona.

Fale, nem que seja por um minuto apenas.

4) Comparativas: introduzem orações com valor de comparação.

Principais conjunções: como, (do) que, qual, quanto, feito, que nem.

Ex.: Ele sempre foi ágil como o pai.

Maria estuda mais que a irmã. (ou do que)

Nada o entristecia tanto quanto o sofrimento de seu povo.

Estava parado feito uma estátua.

Rastejávamos que nem serpentes.

Ele agiu tal qual eu lhe pedira.

Observações

a) Geralmente o verbo da oração comparativa é o mesmo da principal e fica subentendido. É o que ocorre nos cinco primeiros exemplos.

b) As conjunções feito e que nem são de emprego coloquial.

5) Conformativas: principiam orações com valor de acordo em relação à principal.

Principais conjunções: conforme, segundo, consoante, como.

Ex.: Fiz tudo conforme me solicitaram.

Segundo nos contaram, o jogo foi anulado.

Pedro tomou uma decisão consoante determinava a sua consciência.

Carlos é inteligente como os pais sempre afirmaram.

6) Consecutivas: iniciam orações com valor de conseqüência.

Principais conjunções: que (depois de tão, tal, tanto, tamanho, claros ou ocultos), de sorte que, de maneira que, de modo que, de forma que.

Ex.: Falou tão alto que acordou o vizinho.

Gritava que era uma barbaridade. (Gritava tanto...)

Eu lhe expliquei tudo, de modo que não há motivos para discussão.

7) Proporcionais: começam orações que estabelecem uma proporção.

Principais conjunções: à proporção que, à medida que, ao passo que, quanto (em correlações do tipo quanto mais...mais, quanto menos...menos, quanto mais...menos, quanto menos...mais, quanto maior...maior, quanto menor...menor).

Ex.: Seremos todos felizes à proporção que amarmos.

À medida que o tempo passava, crescia a nossa expectativa.

O ar se tornava rarefeito ao passo que subíamos a montanha.

Quanto mais nos preocuparmos, mais ficaremos nervosos.

Quanto menos estudamos, menos progredimos.

Quanto maior for o preparo, maior será a oportunidade.

Cool Finais: introduzem orações com valor de finalidade.

Principais conjunções: para que, a fim de que, que, porque.

Ex.: Fechou a porta para que os animais não entrassem.

Trarei minhas anotações a fim de que você me ajude.

Faço votos que sejas feliz. (= para que)

Esforcei-me porque tudo desse certo. (= para que)

9) Temporais: introduzem orações com valor de tempo.

Principais conjunções: quando, assim que, logo que, antes que, depois que, mal, apenas, que, desde que, enquanto.

Ex.: Cheguei quando eles estavam saindo.

Assim que anoiteceu, fomos para casa.

Sentiu-se aliviado depois que tomou o remédio.

Mal a casa foi reformada, a família se mudou.

Hoje, que não tenho tempo, chegaram as propostas.

Estávamos lá desde que ele começou a lecionar.

Enquanto o filho estudava, a mãe fazia comida.

10) Integrantes: são as únicas desprovidas de valor semântico; iniciam orações que completam o sentido da outra; tais orações são chamadas de subordinadas substantivas.

São apenas duas: que e se

Ex.: É bom que o problema seja logo resolvido..

Veja se ele já chegou.

Obs.:As palavras que e se, nos exemplos acima, iniciam orações que funcionam, respectivamente, como sujeito e objeto direto da oração principal.

Observações finais

a) Apesar de e em que pese a são locuções prepositivas com valor de concessão. Ligam palavras dentro de uma mesma oração ou introduzem orações reduzidas de infinitivo.

Ex.: Apesar do aviso de perigo, ele resolveu escalar a montanha.

Apesar de ventar muito, fomos para a pracinha.

Em que pese a vários pedidos do gerente, o caixa não fez serão.

Em que pese a ter treinado bem, foi colocado na reserva.

b) Algumas conjunções coordenativas às vezes ligam palavras dentro de uma mesma oração.

Ex. Carlos e Rodrigo são irmãos.

Não encontrei Sérgio nem Regina.

Comprarei uma casa ou um apartamento.

Casos especiais

Você deve ter percebido que algumas conjunções têm valores semânticos diversos. Vamos destacar algumas abaixo. A classificação de suas orações depende disso, porém o mais importante é o sentido da frase.

Mas

a) Coordenativa adversativa

Ex.: Pediu, mas ninguém atendeu.

b) Coordenativa aditiva (seguida de também; eqüivale a como)

Ex.: Não só dá aulas, mas também escreve. (= Dá aulas e escreve)

a) Coordenativa aditiva

Ex.: Voltou e brincou com o cachorro.

b) Coordenativa adversativa

Ex.: Leu o livro, e não entendeu nada. (= mas)

Pois

a) Coordenativa conclusiva

Ex.: Trabalhou a tarde inteira; estava, pois, esgotado. (= portanto)

b) Coordenativa explicativa

Ex.: Traga o jornal, pois eu quero ler.

c) Subordinativa causal

Ex.: A planta secou pois não foi regada.

Como

a) Coordenativa aditiva

Ex.: Tanto ria como chorava. (= Ria e chorava)

b) Subordinativa causal

Ex.: Como passou mal, desistiu do passeio. (= Porque)

c) Subordinativa comparativa

Ex.: Era alto como um poste. (= que nem)

d) Subordinativa conformativa

Ex.: Alterei a programação, como o chefe determinara. (= conforme)

Porque

a) Coordenativa explicativa

Ex.: Não faça perguntas, porque ele ficará zangado.

b) Subordinativa causal

Ex.: As frutas caíram porque estavam maduras.

c) Subordinativa final

Ex.: Porque meu filho fosse feliz, fui para outra cidade. (= para que)

Uma vez que

a) Subordinativa causal

Ex.: Fiz aquela declaração uma vez que estava sendo pressionado. (= porque)

b) Subordinativa condicional

Ex.: Uma vez que mude de hábitos, poderá ser aceito no grupo. (= Se mudar de hábitos)

Se

a) Subordinativa condicional

Ex.: Se forem discretos, agradarão a todos. (= Caso sejam discretos)

b) Subordinativa integrante

Ex.: Diga-me se está na hora.

Desde que

a) Subordinativa condicional

Ex.: Desde que digam a verdade, não haverá problemas.

b) Subordinativa temporal

Ex.: Conheço aquela jovem desde que ela era um bebê.

Sem que

a) Subordinativa condicional

Ex.: Não será possível o acordo, sem que haja um debate equilibrado. (= se não houver...)

b) Subordinativa concessiva

Ex.: Sem que fizesse muito esforço, foi aprovado no concurso. (= Embora não fizesse...)

Porquanto

a) Coordenativa explicativa

Ex.: Ele deve ter chorado, porquanto seus olhos estão vermelhos.

b) Subordinativa causal

Ex.: Ficamos animados porquanto houve progresso no

tratamento.

Quanto

a) Coordenativa aditiva

Ex.: Eles tanto criticam quanto incentivam. (= Eles criticam e incentivam)

b) Subordinativa comparativa

Ex.: Ele se preocupa tanto quanto o médico.

Que

a) Coordenativa adversativa

Ex.: Diga tal coisa a outro, que não a ele. (= mas não a ele)

b) Coordenativa explicativa

Ex.: Faça as anotações, que você estudará melhor.

c) Subordinativa causal

Ex.: Nervoso que se encontrava, não conseguiu assinar o documento.

d) Subordinativa concessiva

Ex.: Sujo que estivesse, deitaria na poltrona. (= embora)

e) Subordinativa comparativa

Ex.: É mais trabalhador que o tio.

f) Subordinativa consecutiva

Ex.: Era tal seu medo que fugiu.

g) Subordinativa final

Ex.: Ele me fez um sinal que eu não dissesse nada. (= para que)

h) Subordinativa temporal

Ex.: Agora, que já tomaste o remédio, sairemos. (= quando)

I) Subordinativa integrante

Ex.: Queria que todos fossem felizes.
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André Carvalho

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Re: 800 questões sobre Interpretação de texto.

Mensagem por André Carvalho em Qui Ago 07, 2014 9:32 am

CAPÍTULO 4TIPOLOGIA TEXTUAL

Veremos neste capítulo apenas o essencial da tipologia, aquilo que, de uma forma ou de outra, costuma ser cobrado em questões de interpretação ou compreensão de textos. São, portanto, noções que podem ajudá-lo a acertar determinados tipos de testes.

I) Descrição

Um texto se diz descritivo quando tem por base o objeto, a coisa, a pessoa. Mostra detalhes, que podem ser físicos, morais, emocionais, espirituais. Nota-se que a intenção é realmente descrever, daí a palavra descrição. Veja o exemplo abaixo:

“Diante dela e todo a contemplá-la, está um guerreiro estranho, se é guerreiro e não algum mau espírito da floresta. Tem nas faces o branco das areias que bordam o mar, nos olhos o azul triste das águas profundas. Ignotas armas e tecidos ignotos cobrem-lhe o corpo.” (José de Alencar, Iracema)

Uma característica marcante da descrição é a forte adjetivação que leva o leitor a visualizar o ser descrito. No trecho em estudo, o homem visto por Iracema é branco, tem olhos tristes (veja que bela hipálage criou o autor: azul triste em vez de olhos tristes); as águas são profundas, e os tecidos e armas, ignotos, ou seja, desconhecidos. Observe como a palavra todo revela a perplexidade do guerreiro, extático a observar a jovem índia à sua frente.

Veja, agora, outro exemplo de trecho descritivo, na realidade uma autodescrição.

“Meus cabelos eram muito bonitos, dum negro quente, acastanhado nos reflexos. Caíam pelos meus ombros em cachos gordos, com ritmos pesados de molas de espiral.” (Mário de Andrade, Tempo da Camisolinha)

II) Narração

Quando o texto está centrado no fato, no acontecimento, diz-se que se trata de uma narração. Palavra derivada do verbo narrar, narração é o ato de contar alguma coisa. Novelas, romances, contos são textos basicamente narrativos. São os seguintes os elementos de uma narração:

1) Narrador

É aquele que narra, conta o que se passa supostamente aos seus olhos. Quando participa da história, é chamado de narradorpersonagem. Então a narrativa fica, normalmente, em 1ª pessoa.

2) Personagens

São os elementos, usualmente pessoas, que participam da história. Mas os personagens podem ser coisas ou animais, como no romance O Trigo e o Joio, de Fernando Namora, em que o personagem principal, isto é, protagonista, é uma burra.

3) Enredo

É a história propriamente dita, a trama desenvolvida em torno dos personagens.

4) Tempo

O momento em que a história se passa. Pode ser presente, passado ou futuro.

5) Ambiente

O lugar em que a trama se desenvolve. Pode, naturalmente, variar muito, no desenrolar da narrativa. Eis, a seguir, um bom exemplo de texto narrativo, em que todos os elementos se fazem presentes.

“Muitos anos mais tarde, Ana Terra costumava sentar-se na frente de sua casa para pensar no passado. E no seu pensamento como que ouvia o vento de outros tempos e sentia o tempo passar, escutava vozes, via caras e lembrava-se de coisas... O ano de 81 trouxera um acontecimento triste para o velho Maneco: Horácio deixara a fazenda, a contragosto do pai, e fora para o Rio Pardo, onde se casara com a filha dum tanoeiro e se estabelecera com uma pequena venda.” (Érico Veríssimo, O Tempo e o Vento)

O trecho do grande romance de Érico Veríssimo está situado no tempo (81), faz menção a lugares onde a trama se desenvolve e apresenta personagens, como Ana Terra e Seu Maneco. E, é claro, alguém está contando: é o narrador da história.

Veja mais um exemplo de narração, agora com o narradorpersonagem.

“Hoje estive na loja de Seu Chamun, uma tristeza. Poeira e cisco por toda parte, qualquer dia vira monturo. Os dois empregados do meu tempo foram embora, não sei se dispensados, e o dono não tem disposição para limpar.” (José J. Veiga, Sombras de Reis Barbudos)

III) Discurso

Os personagens que participam da história evidentemente falam. É o que se conhece como discurso, que pode ser:

1) Direto

O narrador apresenta a fala do personagem, integral, palavra por palavra. Geralmente se usam dois pontos e travessão.

Ex.: O funcionário disse ao patrão:

- Espero voltar no final do expediente.

Rui perguntou ao amigo:

- Posso chegar mais tarde?

2) Indireto

O narrador incorpora à sua fala a fala do personagem. O sentido é o mesmo do discurso direto, porém é utilizada uma conjunção integrante (que ou se) para fazer a ligação.

Ex.: O funcionário disse ao patrão que esperava voltar no final do expediente.

Rui perguntou ao amigo se poderia chegar mais tarde.

Obs.: O conhecimento desse assunto é muito importante para as questões que envolvem as paráfrases. Cuidado, pois, com o sentido. Procure ver se está sendo respeitada a correlação entre os tempos verbais e entre determinados pronomes. Abaixo, outro exemplo, bem elucidativo.

Minha colega me afirmou:

- Estarei aqui, se você precisar de mim.

Minha colega me afirmou que estaria lá se eu precisasse dela.

O sentido é, rigorosamente, o mesmo. Foi necessário fazer inúmeras adaptações.

3) Indireto livre

É praticamente uma fusão dos dois anteriores. Percebe-se a fala do personagem, porém sem os recursos do discurso direto (dois pontos e travessão) nem do discurso indireto (conjunções que ou se).

Ex.: Ele caminhava preocupado pela avenida deserta. Será que vai chover, logo hoje, com todos esses compromissos!?

IV) Dissertação

Um texto é dissertativo quando tem como centro a idéia. É, pois, argumentativo, opinativo. Geralmente é o que se cobra em concursos públicos, tanto em interpretação de textos quanto na elaboração de redações. Divide-se em:

1) Introdução

Período de pouca extensão em que se apresenta uma idéia, uma afirmação que será desenvolvida nos parágrafos seguintes. É nele que se localiza o chamado tópico frasal, aquele período-chave em que se baseia todo o texto.

2) Desenvolvimento

Um ou mais parágrafos de extensão variada, de acordo com a necessidade da composição. É nele que se argumenta, discute, opina, rebate. É o corpo da redação.

3) Conclusão

Parágrafo curto com que se encerra a descrição. É também chamado de fecho. Há várias modalidades de conclusão: resumo da redação, citação de alguém famoso, opinião final contundente etc. Veja exemplo de trechos dissertativos.

“De muitas maneiras, o emprego de alto funcionário público é um sacerdócio, porém pior, pois é exercido sob os olhares atentos da imprensa. O cidadão comum, tornado autoridade, transforma-se, do dia para a noite, numa espécie de âncora de noticiário. Não deve gaguejar, improvisar nem correr riscos em temas polêmicos.” (Gustavo Franco, na Veja 1782)

“Entende-se por juízo um pensamento por meio do qual se afirma ou nega alguma coisa, se enuncia algo; serve para estabelecer relação entre duas idéias. Emitir um juízo é o mesmo que julgar. A inteligência opera por meio de juízos; raciocinar consiste em encadear juízos para tirar uma conclusão.” (Carlos Toledo Rizzini, Evolução para o Terceiro Milênio)

“Insistamos sobre esta verdade: a guerra de Canudos foi um refluxo em nossa história. Tivemos, inopinadamente, ressurreta e em armas em nossa frente, uma sociedade velha, uma sociedade morta, galvanizada por um doido.” (Euclides da Cunha, Os Sertões)

Observações

a) Um texto, às vezes, apresenta tipologia mista. Uma narração, por exemplo, pode conter traços dissertativos ou descritivos. Aliás, isso é freqüente. Não há rigor absoluto.

b) Se destacamos apenas um trecho de uma determinada obra, compreensivelmente todos os elementos que caracterizam sua tipologia podem não estar presentes. Por exemplo, os três trechos dissertativos apresentados, sendo parágrafos isolados, não contêm introdução, desenvolvimento e conclusão, o que não impede que os classifiquemos daquela forma.

c) O tema costuma sugerir uma determinada tipologia, mas também aqui não há nada de absoluto. Digamos que se queira escrever sobre um passeio. A princípio, pensa-se numa narração. Porém, o autor pode prender-se a detalhes do lugar, das pessoas, do transporte utilizado etc. Teríamos então uma descrição. Por outro lado, ele pode falar da importância do lazer na vida das pessoas, para a sua saúde física ou mental etc. Dessa forma, desenvolvendo idéias, cairíamos em uma dissertação.

CAPÍTULO 5SIGNIFICAÇÃO DAS PALAVRAS

Veremos, neste capítulo, coisas importantes sobre a significação de palavras e expressões, que podem influir, direta ou indiretamente, na interpretação de um texto. Trata-se, em verdade, da semântica, à qual podemos somar a denotação e a conotação, vistas em outra parte da obra.

I) Campos semânticos

As palavras podem associar-se de várias maneiras. Quando se relacionam pelo sentido, temos um campo semântico. Não se trata de sinônimos ou antônimos, mas de aproximação de sentido num dado contexto.

Ex.: perna, braço, cabeça, olhos, cabelos, nariz -> partes do corpo humano

azul, verde, amarelo, cinza, marrom, lilás - cores

martelo, serrote, alicate, torno, enxada -> ferramentas

batata, abóbora, aipim, berinjela, beterraba -> legumes

Observações

a) Também constituem campos semânticos palavras como flor, jardim, perfume, terra, espinho, embora não pertençam a um grupo delimitado; mas a associação entre elas é evidente.

b) As palavras podem pertencer a campos semânticos diferentes. Veja o caso de abóbora, citada há pouco. Ela também serve para indicar cor, o que a colocaria no segundo grupo de palavras.

II) Polissemia

É a capacidade que as palavras têm de assumir significados variados de acordo com o contexto. Não se trata de homonímia, que estudaremos adiante.

Ex.: Ele anda muito. Mário anda doente. Aquele executivo só anda de avião. Meu relógio não anda mais.

O verbo andar tem origem no latim ambulare. Possui inúmeros significados em português, dos quais destacamos apenas quatro. Trata-se, pois, de uma mesma palavra, de uso diverso na língua. Nas frases do exemplo, significa, respectivamente, caminhar, estar, viajar e funcionar.

III) Sinonímia

Outro item de suma importância para a interpretação de textos. Há sinonímia quando duas ou mais palavras têm o mesmo significado em determinado contexto. Diz-se, então, que são sinônimos.

Ex.: O comprimento da sala é de oito metros.

A extensão da sala é de oito metros.

A substituição de comprimento por extensão não altera o sentido da frase, pois os termos são sinônimos.

Em verdade, as palavras são sinônimas em certas situações, mas podem não ser em outras. É a riqueza da língua portuguesa falando mais alto. Pode-se dizer, em princípio, que face e rosto são dois sinônimos: ela tem um belo rosto, ela tem uma bela face. Mas não se consegue fazer a troca de face por rosto numa frase do tipo: em face do exposto, aceitarei.

IV) Antonímia

Requer os mesmos cuidados da sinonímia. Na realidade, tudo é uma questão de bom vocabulário. Antonímia é o emprego de palavras de sentido contrário, oposto.

Ex.: É um menino corajoso.

É um menino medroso.

V) Homonímia

Diz-se que há homonímia quando duas ou mais palavras possuem identidade de pronúncia (homônimos homófonos) ou de grafia (homônimos homógrafos). Em alguns casos, as palavras possuem iguais a pronúncia e a grafia (homônimos perfeitos). A classificação em si não é importante, mas sim o significado das palavras.

Ex.: ceda - seda -> homônimos homófonos

peso (A) -> peso (ê) -> homônimos homógrafos

pena - pena -> homônimos perfeitos (ou homófonos e homógrafos)

Homônimos homófonos mais importantes

acender - pôr fogo a

ascender - elevar-se

acento - inflexão da voz

assento - objeto onde se senta

asado - com asas

azado – oportuno

caçar - perseguir

cassar – anular

cegar - tirar a visão

segar - ceifar, cortar

cela - cômodo pequeno

sela – arreio

censo - recenseamento

senso – juízo

cerração - nevoeiro

serração - ato de serrar

cheque - ordem de pagamento

xeque - lance do jogo de xadrez

cidra - certa fruta

sidra - um tipo de bebida

conserto - reparo

concerto – harmonia

estático - firme, parado

extático - em êxtase

espiar - olhar

expiar – sofrer

estrato - camada; tipo de nuvem

extrato - que se extraiu

passo - passada

paço - palácio imperial

incerto - duvidoso

inserto – inserido

incipiente - que está no início

insipiente - que não sabe

lasso - cansado

laço - tipo de nó

remissão - perdão

remição - resgate

seda - tipo de tecido

ceda - flexão do verbo ceder

taxa - imposto

tacha - tipo de prego

viagem - jornada

viajem - flexão do verbo viajar

VI) Paronímia

Emprego de parônimos, palavras muito parecidas e que confundem as pessoas.

Ex.: O tráfego era intenso naquela estrada.

O tráfico de escravos é uma nódoa em nossa história.

As palavras tráfego e tráfico são parecidas, mas não se trata de homônimos, pois a pronúncia e a grafia são diferentes. Tráfego é movimento de veículo; tráfico, comércio.

Parônimos mais importantes

amoral - sem o senso da moral

imoral - contrário à moral

apóstrofe - chamamento

apóstrofo - tipo de sinal gráfico

arrear - pôr arreios

arriar – abaixar

astral - dos astros

austral - que fica no sul

cavaleiro - que anda a cavalo

cavalheiro – gentil

comprimento - extensão

cumprimento – saudação

conjetura - hipótese

conjuntura – situação

delatar - denunciar

dilatar – alargar

descrição - ato de descrever

discrição - qualidade de discreto

descriminar - inocentar

discriminar – separar

despercebido - sem ser notado

desapercebido – desprevenido

destratar - insultar

distratar – desfazer

docente - professor

discente – estudante

emergir - vir à tona, sair

imergir – mergulhar

emigrar - sair de um país

imigrar - entrar em um país

eminente - importante

iminente - que está para ocorrer

esbaforido - ofegante

espavorido – apavorado

estada - permanência de alguém

estadia - permanência de veículo

facundo – eloqüente

fecundo - fértil; criador

flagrante - evidente

fragrante - aromático

fluir - correr; manar

fruir -desfrutar

inerme - desarmado

inerte - parado

inflação - desvalorização

infração - transgressão

infligir - aplicar pena

infringir - transgredir

intemerato - puro

intimorato - corajoso

lactante - que amamenta

lactente - que mama

lista - relação

listra - linha, risco

locador - proprietário

locatário - inquilino

lustre - candelabro

lustro - cinco anos; brilho

mandado - ordem judicial

mandato - procuração

pleito - disputa

preito - homenagem

preeminente - nobre, distinto

proeminente - saliente

prescrever - receitar; expirar (prazo)

proscrever - afastar, desterrar

ratificar - confirmar

retificar - corrigir

sortir - abastecer

surtir - resultar

sustar - suspender

suster - sustentar

tráfego - movimento de veículo

tráfico - comércio

usuário - aquele que

usa usurário - avarento; agiota

vultoso - grande

vultuoso - vermelho e inchado

VII) Palavras e expressões latinas

Em português, freqüentemente aparecem termos emprestados do latim, e isso pode dificultar o entendimento do texto.

Veja os mais importantes.

ab initio - desde o princípio

ad hoc - para isso

ad referendum - sujeito à aprovação

ad usum - segundo o costume

a priori - antes de qualquer argumento

a posteriori - após argumentação

apud - junto de

curriculum vitae - correr de vida, conjunto de informações pessoais

data venia - com a devida permissão

errata - especificação dos erros de impressão

et alii - e outros

ex abrupto - de súbito

ex cathedra - em virtude de autoridade decorrente do título

ex consensu - com o consentimento

ex jure - segundo o direito, por justiça

ex officio - por obrigação de lei, por dever do cargo

exempli gratia - por exemplo

ex lege - de acordo com a lei

fac-simile - cópia

habeas-corpus - liberdade de locomoção ,

hic et nunc - aqui e agora

honoris causa - por motivo de honra

ibidem - no mesmo lugar

idem - igualmente, também

in limine - preliminarmente

in loco - no lugar

in totum - totalmente

ipsis litteris - pelas mesmas letras, textualmente”

ipsis verbis - pelas mesmas palavras, textualmente

ipso facto - por isso mesmo, pelo próprio fato

ipso jure - de acordo com o direito

lato sensu - em sentido amplo

mutatis mutandis - mudando o que deve ser mudado

opus - obra musical classificada e numerada

pari passu - simultaneamente

passim - aqui e ali, em toda parte

prima facie - à primeira vista, sem maior exame

pro labore - pagamento por serviço prestado

r sic - assim mesmo, escrito desta maneira

sine die - sem data fixa

sine jure - sem direito

sine qua non - indispensável

sub judice - sob apreciação judicial

sui generis - peculiar, sem igual

stricto sensu - em sentido restrito

urb et orbi - em toda a parte

verbi gratia - por exemplo

verbo ad verbum - palavra por palavra

CAPÍTULO 6A PRÁTICA

Neste capítulo, vamos treinar um pouco, mostrando variados tipos de questões de interpretação e compreensão de texto.

Texto I

Salustiano era um bom garfo. Mas o jantar que lhe haviam oferecido nada teve de abundante.

- Quando voltará a jantar conosco? - perguntou-lhe a dona da casa.

- Agora mesmo, se quiser.

(Barão de Itararé, in Máximas e Mínimas do Barão de Itararé)

1) A figura de linguagem presente no primeiro período do texto é:

a) hipérbole

b) eufemismo

c) prosopopéia

d) metonímia

e) antítese

2) Deduz-se do texto que Salustiano:

a) come pouco.

b) é uma pessoa educada.

c) não ficou satisfeito com o jantar.

d) é um grande amigo da dona da casa.

e) decidiu que não mais comeria naquela casa.

3) O adjetivo que não substitui sem alteração de sentido a palavra “abundante” é:

a) copiosa

b) frugal

c) opípara

d) lauta

e) abundosa

Respostas

1) O gabarito é a letra d. Temos aqui um tipo de metonímia. Há uma troca: ser um bom garfo / comer bem. Há muitas questões hoje em dia envolvendo as figuras de linguagem. Estude bem o segundo capítulo, onde elas aparecem. Note que este tipo de metonímia não é fácil, porém, conhecendo bem as outras figuras, dá para fazer por eliminação.

2) A resposta é a letra c. A letra a é eliminada, pois ser um bom garfo é comer muito. A letra b é errada, pois, se ele fosse realmente educado, não teria dado aquela resposta no final do texto, evidenciando a sua insatisfação. Nada no texto sugere que ele seja um grande amigo da dona da casa, o que descarta a alternativa d. A opção e pode ser desconsiderada, uma vez que, embora insatisfeito, ele não diz que jamais comerá naquela casa; aliás, chega mesmo a aceitar o novo convite. O gabarito só pode ser a letra c, pois ele era um bom garfo e a comida era pouca, o que o levou a querer repeti-la, aceitando o convite.

3) Questão de sinonímia. A palavra frugal é o oposto de abundante. As outras quatro são sinônimas de abundante. Daí o gabarito ser a letra b.

Texto II

A mulher foi passear na capital. Dias depois o marido dela recebeu um telegrama:

“Envie quinhentos cruzeiros. Preciso comprar uma capa de chuva. Aqui está chovendo sem parar”.

E ele respondeu:

“Regresse. Aqui chove mais barato”.

(Ziraldo, in As Anedotas do Pasquim)

1) A resposta do homem se deu por razões:

a) econômicas

b) sentimentais

c) lúdicas

d) de segurança

e) de machismo

2) Com relação à tipologia textual, pode-se afirmar que:

a) se trata de uma dissertação.

b) se trata de uma descrição com alguns traços narrativos.

c) o autor preferiu o discurso direto.

d) o segundo período é exemplo de discurso indireto livre.

e) não se detecta a presença de personagens.

3) Com relação aos elementos conectores do texto, não se pode dizer que:

a) dela tem como referente mulher.

b) o referente do pronome ele é marido.

c) a preposição de tem valor semântico de finalidade.

d) A oração “Aqui está chovendo sem parar” poderia ligar-se à anterior, sem alteração de sentido, pela conjunção conquanto.

e) O advérbio aqui, em seus dois empregos, não possui os mesmos referentes.

Respostas

1) Letra a. Ao pedir à mulher que regresse logo, ele pensava que não precisaria comprar uma capa de chuva porque eles já possuem uma, ou que gastaria menos, já que em sua cidade a capa é mais barata. O risco da questão é a presença do adjetivo lúdicas, menos conhecido. É necessário melhorar o vocabulário. Lúdicas quer dizer “relativas a jogos, brinquedos, divertimentos”.

2) A resposta só pode ser a letra c. As duas primeiras estão eliminadas, pois o texto é narrativo. Tanto a fala da mulher quanto a do marido são integrais, ou seja, exemplificam o que se conhece como discurso direto. O autor não usou o travessão, mais comum, preferindo as aspas. A letra d não tem cabimento, para quem conhece o discurso indireto livre. Não poderia ser a opção e, uma vez que o homem e a mulher são as personagens do texto.

3) Gabarito: letra d. As duas primeiras alternativas são evidentes, dispensam comentários. A letra c está perfeita, pois se trata de uma capa para chuva, ou seja, com a finalidade de proteger a pessoa da chuva. A última alternativa também está correta, pois o primeiro “aqui” refere-se à “capital”, onde ela está passeando, e o segundo à cidade do interior, onde se encontra o marido. A resposta só pode ser a letra d porque o relacionamento entre as duas orações é de causa e efeito, pedindo conjunções como pois, porque, porquanto etc. Conquanto significa embora, tem valor concessivo, de oposição. Além disso, seu emprego acarretaria erro de flexão verbal, pois o verbo deveria estar no subjuntivo (esteja), o que não ocorre no texto original.

Texto III

“Uma nação já não é bárbara quando tem historiadores.”

(Marquês de Maricá, in Máximas)

1) O texto é:

a) uma apologia à barbárie

b) um tributo ao desenvolvimento das nações

c) uma valorização dos historiadores

d) uma reprovação da selvageria

e) um canto de louvor à liberdade

2) Só não constitui paráfrase do texto:

a) Um país já não é bárbaro, desde que nele existem historiadores.

b) Quando tem historiadores, uma nação já é civilizada.

c) Uma nação deixa de ser bárbara quando há nela historiadores.

d) Quando possui historiadores, uma nação não mais pode ser

considerada bárbara.

e) Desde que tenha historiadores, uma nação já não é mais bárbara.

Respostas

1) O gabarito é a letra c. A opção a é absurda por si mesma. A letra b não

cabe, pois o texto não fala de homenagem à nação. Não pode ser a

letra d, porque nada no texto reprova a barbárie (o leitor precisa aterse

ao texto). A última opção é totalmente sem propósito. Na realidade,

o autor valoriza os historiadores, uma vez que é a sua presença que

garante estar a nação livre da barbárie.

2) Letra e. O que responde à questão é o valor dos conectivos. A palavra

quando introduz uma oração temporal. O mesmo ocorre com o desde

que da letra a. (observe que o verbo se encontra no modo indicativo:

existem.) Na letra e, a conjunção desde que (o verbo da oração está

no subjuntivo: tenha) inicia oração com valor de condição, havendo,

pois, alteração de sentido.

Texto IV

“A maior alegria do brasileiro é hospedar alguém, mesmo um desconhecido que lhe peça pouso, numa noite de chuva.”

(Cassiano Ricardo, in O Homem Cordial)

1) Segundo as idéias contidas no texto, o brasileiro:

a) põe a hospitalidade acima da prudência.

b) hospeda qualquer um, mas somente em noites chuvosas.

c) dá preferência a hospedar pessoas desconhecidas.

d) não tem outra alegria senão a de hospedar pessoas, conhecidas ou não.

e) não é prudente, por aceitar hóspedes no período da noite.

2) A palavra mesmo pode ser trocada no texto, sem alteração de sentido, por:

a) certamente

b) até

c) talvez

d) como

e) não

3) A expressão “A maior alegria do brasileiro” pode ser entendida como:

a) uma personificação

b) uma ironia

c) uma metáfora

d) uma hipérbole

e) uma catacrese

4) O trecho que poderia dar seqüência lógica e coesa ao texto é:

a) Não obstante isso, ele é uma pessoa gentil.

b) Dessa forma, qualquer um que o procurar será atendido.

c) A solidariedade, pois, ainda precisa ser conquistada.

d) E o brasileiro ganhou fama de intolerante.

e) Por conseguinte, se chover, ele dará hospedagem aos desconhecidos.

Respostas

1) Letra a. Na ânsia de ser hospitaleiro, o brasileiro hospeda, imprudentemente, em sua casa, pessoas desconhecidas. A letra b condiciona a hospedagem às noites chuvosas. A opção c não tem nenhum apoio no texto, que não fala em preferências. A letra d não cabe como resposta, pois o texto nos fala de “maior alegria”, ou seja, há outras, menores. A letra e poderia realmente confundir. Na verdade a falta de prudência não existe por aceitar hóspedes durante a noite, mas aceitá-los sendo eles desconhecidos.

2) A resposta é a letra b. Mesmo é palavra denotativa de inclusão, da mesma forma que até.

3) O gabarito é a letra d. Trata-se de um evidente exagero do autor. A figura do exagero chama-se hipérbole.

4) Letra b. Na opção a, não obstante isso tem valor concessivo. Deveria ser por isso ou semelhantes. Na letra c, a conjunção pois é conclusiva, não pode estar seguida de ainda precisa, pois o texto diz que o brasileiro já conquistou a solidariedade. A alternativa d contraria inteiramente o texto. A letra e não dá seqüência ao texto, pois este não condiciona a hospedagem à chuva.

PARTE IIINTERPRETAÇÃO I

TEXTO I

Não existe essa coisa de um ano sem Senna, dois anos sem Senna...Não há calendário para a saudade.

(Adriane Galisteu, no Jornal do Brasil)

1) Segundo o texto, a saudade:

a) aumenta a cada ano.

b) é maior no primeiro ano.

c) é maior na data do falecimento.

d) é constante.

e) incomoda muito.

2) A segunda oração do texto tem um claro valor:

a) concessivo

b) temporal

c) causal

d) condicional

e) proporcional

3) A repetição da palavra não exprime:

a) dúvida

b) convicção

c) tristeza

d) confiança

e) esperança

4) A figura que consiste na repetição de uma palavra no início de cada membro da frase, como no caso da palavra não, chama-se:

a) anáfora

b) silepse

c) sinestesia

d) pleonasmo

e) metonímia

TEXTO II

Passei a vida atrás de eleitores e agora busco os leitores.

(José Sarney, na Veja, dez/97)

5) Deduz-se pelo texto uma mudança na vida:

a) esportiva

b) intelectual

c) profissional

d) sentimental

e) religiosa

6) O autor do texto sugere estar passando de:

a) escritor a político

b) político a jornalista

c) político a romancista

d) senador a escritor

e) político a escritor

7) Infere-se do texto que a atividade inicial do autor foi:

a) agradável

b) duradoura

c) simples

d) honesta

e) coerente

Cool O trecho que justifica a resposta ao item anterior é:

a) e agora

b) os leitores

c) passei a vida

d) atrás de eleitores

e) busco

9) A palavra ou expressão que não pode substituir o termo agora é:

a) no momento

b) ora

c) presentemente

d) neste instante

e) recentemente

TEXTO III

Os animais que eu treino não sao obrigados a fazer o que vai contra a natureza deles.

(Gilberto Miranda, na Folha de São Paulo, 23/2/96)

10) O sentimento que melhor define a posição do autor perante os animais é:

a) fé

b) respeito

c) solidariedade

d) amor

e) tolerância

11) O autor do texto é:

a) um treinador atento

b) um adestrador frio

c) um treinador qualificado

d) um adestrador consciente

e) um adestrador filantropo

12) Segundo o texto, os animais:

a) são obrigados a todo tipo de treinamento.

b) fazem o que não lhes permite a natureza.

c) não fazem o que lhes permite a natureza.

d) não são objeto de qualquer preocupação para o autor.

e) são treinados dentro de determinados limites.

TEXTO IV

Estou com saudade de ficar bom. Escrever é conseqüência natural.

(Jorge Amado, na Folha de São Paulo, 22/10/96)

13) Segundo o texto:

a) o autor esteve doente evoltou a escrever.

b) o autor está doente e continua escrevendo.

c) O autor não escreve porque está doente.

d) o autor está doente porque não escreve.

e) o autor ficou bom, mas não voltou a escrever.

14) O autor na verdade tem saudade:

a) de trabalhar

b) da saúde

c) de conversar

d) de escrever

e) da doença

15) “Escrever é conseqüência natural.” Conseqüência de:

a) voltar a trabalhar.

b) recuperar a saúde.

c) ter ficado muito tempo doente.

d) estar enfermo.

e) ter saúde.

TEXTO V

A mente de Deus é como a Internet: ela pode ser acessada por qualquer um, no mundo todo.

(Américo Barbosa, na Folha de São Paulo)

16) No texto, o autor compara:

a) Deus e internet

b) Deus e mundo todo

c) internet e qualquer um

d) mente e internet

e) mente e qualquer um

17) O que justifica a comparação do texto é:

a) a modernidade da informática

b) a bondade de Deus

c) a acessibilidade da mente de Deus e da internet

d) a globalização das comunicações

e) O desejo que todos têm de se comunicar com o mundo.

18) O conectivo comparativo presente no texto só não pode ser substituído por:

a) tal qual

b) que nem

c) qual

d) para

e) feito

19) Só não constitui paráfrase do texto:

a) A mente de Deus, bem como a internet, pode ser acessada por qualquer um, no mundo todo.

b) No mundo todo, qualquer um pode acessar a mente de Deus e a internet.

c) A mente de Deus pode ser acessada, no mundo todo, por qualquer um, da mesma forma que a internet.

d) Tanto a internet quanto a mente de Deus podem ser acessadas, no mundo todo, por qualquer um.

e) A mente de Deus pode acessar, como qualquer um, no mundo todo, a internet.

TEXTO VI

Marx disse que Deus é o ópio do povo. Já sabemos que não entendia nem de Deus nem de ópio. Deus é uma experiência de fé. Impossível defini-lo.

(Paulo Coelho, em O Globo, 25/2/96

20) Segundo o período inicial do texto, para Marx Deus:

a) traz imensa alegria ao povo.

b) esclarece o povo.

c) deixa o povo frustrado.

d) conduz com segurança o povo.

e) tira do povo a condição de raciocinar.

21) Segundo o autor, Marx:

a) mentiu deliberadamente.

b) foi feliz com suas palavras.

c) falou sobre o que não sabia.

d) equivocou-se em parte.

e) estava coberto de razão, mas não foi compreendido.

22) O sentimento que Marx teria demonstrado e que justifica a resposta ao item anterior é:

a) leviandade

b) orgulho

c) maldade

d) ganância

e) egoísmo

23) Infere-se do texto que Deus deve ser:

a) amado

b) conceituado

c) admirado

d) sentido

e) estudado

24) A palavra que justifica o item anterior é:

a) ópio

b) Io

c) fé

d) povo

e) experiência

25) A figura de linguagem presente no primeiro período é:

a) metáfora

b) metonímia

c) prosopopéia

d) pleonasmo

e) hipérbole

26) A palavra que poderia ter sido grafada com letra maiúscula é:

a) ópio

b) povo

c) experiência

d) fé

e)lo

TEXTO VII

Quando vim da minha terra, não vim, perdi-me no espaço, na ilusão de ter saído.

Ai de mim, nunca saí.

(Carlos D. de Andrade, no poema A Ilusão do Migrante)

27) O sentimento predominante no texto é:

a) orgulho

b) saudade

c) fé

d) esperança

e) ansiedade

28) Infere-se do texto que o autor:

a) não saiu de sua terra.

b) não queria sair de sua terra, mas foi obrigado.

c) logo esqueceu sua terra.

d) saiu de sua terra apenas fisicamente.

e) pretende voltar logo para sua terra.

29) Por “perdi-me no espaço” pode-se entender que o autor:

a) ficou perdido na nova terra.

b) ficou confuso.

c) não gostou da nova terra.

d) perdeu, momentaneamente, o sentimento por sua terra natal.

e) aborreceu-se com a nova situação.

30) Pelo último período do texto, deduz-se que:

a) ele continuou ligado à sua terra.

b) ele vai voltar à sua terra.

c) ele gostaria de deixar sua cidade, mas nunca conseguiu.

d) ele se alegra por não ter saído.

e) ele nunca saiu da terra onde vive atualmente.

31) A expressão “ai de mim” só não sugere, no poema:

a) amargura

b) decepção

c) tristeza

d) vergonha

e) nostalgia

TEXTO VIII

Enquanto o Titanic ainda flutua, tentemos o impossível para mudar o seu curso. Afinal, quem faz a história são as pessoas e não o contrário.

(Herbert de Souza, na Folha de São Paulo, 17/11/96)

32) Infere-se do texto que o Titanic:

a) é um navio real.

b) simboliza algo que vai mal.

c) é um navio imaginário.

d) simboliza esperança de salvação.

e) sintetiza todas as tragédias humanas.

33) Pelo visto, o autor não acredita em:

a) transformação

b) elogio

c) desgraça

d) favorecimento

e) determinismo

34) A palavra “afinal” pode ser substituída, sem alteração de sentido, por:

a) conquanto

b) porquanto

c) malgrado

d) enquanto

e) apenas

35) Infere-se do texto que:

a) há coisas que não podem ser mudadas.

b) se tentarmos, conseguiremos.

c) o que parece impossível sempre o é.

d) jamais podemos desistir.

e) alguns têm a capacidade de modificar as coisas, outros não.

36) Para o autor, as pessoas não devem:

a) exagerar

b) falhar

c) desanimar

d) lamentar-se

e) fugir

TEXTO IX

A função do artista é esta, meter a mão nessa coisa essencial do ser humano, que é o sonho e a esperança. Preciso ter essa ilusão: a de que estou resgatando esses valores.

(Marieta Severo, na Folha de São Paulo)

37) Segundo o texto, o artista:

a) leva alegria às pessoas.

b) valoriza o sonho das pessoas pobres.

c) desperta as pessoas para a realidade da vida.

d) não tem qualquer influência na vida das pessoas.

e) trabalha o íntimo das pessoas.

38) Segundo o texto:

a) o sonho vale mais que a esperança.

b) o sonho vale menos que a esperança.

c) sonho e esperança têm relativa importância para as pessoas.

d) não se vive sem sonho e esperança.

e) têm importância capital para as pessoas tanto o sonho quanto a

esperança.

39) A palavra ou expressão que justifica a resposta do item anterior é:

a) ilusão

b) meter a mão

c) essencial

d) ser humano

e) valores

40) A expressão “meter a mão”:

a) pertence ao linguajar culto.

b) pode ser substituída, sem alteração de sentido, por intrometer-se.

c) tem valor pejorativo.

d) é coloquial e significa, no texto, tocar.

e) é um erro que deveria ter sido evitado.

41) Só não se encontra no texto:

a) a influência dos artistas

b) a necessidade da autora

c) a recuperação de coisas importantes

d) a conquista da paz

e) a carência de sentimentos das pessoas

42) A palavra “esses” poderia ser substituída, sem alteração de sentido, por:

a) bons

b) certos

c) tais

d) outros

e) muitos

TEXTO X

Um prêmio chamado Sharp, ou Shell, Deus me livre! Não quero. Acho esses nomes feios. Não recebo prêmios de empresas ligadas a grupos multinacionais. Não sou traidor do meu povo nem estou à venda.

(Ariano Suassuna, na Veja, 3/7/96)

43) A palavra que melhor define o autor do texto é:

a) megalomaníaco

b) revoltado

c) narcisista

d) nacionalista

e) decepcionado

44) Se aceitasse algum tipo de prêmio de empresas multinacionais, o autor, além de traidor, se sentiria:

a) infiel

b) venal

c) pusilânime

d) ingrato

e) ímprobo

45) O autor não recebe prêmios de empresas multinacionais porque:

a) seus nomes são feios.

b) estaria prestando um desserviço ao Brasil.

c) detesta qualquer empresa que não seja brasileira

d) esses prêmios não têm valor algum.

e) não quer ficar devendo favores a esse tipo de empresa.

46) O último período do texto tem claro valor:

a) causal

b) temporal

c) condicional

d) comparativo

e) proporcional

47) A expressão “Deus me livre!” demonstra, antes de tudo:

a) revolta

b) desprezo

c) ironia

d) certeza

e) ira

TEXTO XI

Inserto entre o 16° e o 18°, o século XVII permanece em meialuz, quase apagado, nos fastos do Rio de Janeiro, sem que sobre esse período se detenha a atenção dos historiadores, sem que o distingam os que se deixam fascinar pelos aspectos brilhantes da história.

(Vivaldo Coaracy, in O Rio de Janeiro)

48) Segundo o texto, o século XVII:

a) chamou a atenção dos historiadores por ser meio apagado.

b) foi uma parte brilhante da história do Rio de Janeiro.

c) assemelha-se aos séculos XVI e XVIII.

d) foi importante, culturalmente, para o Rio de Janeiro.

e) transcorreu sem brilho, para o Rio de Janeiro.

49) A palavra ou expressão que pode substituir sem prejuízo do sentido a palavra “fastos” é:

a) anais

b) círculos culturais

c) círculos políticos

d) administração

e) imprensa

50) A expressão “quase apagada”:

a) retifica a palavra meia-luz.

b) complementa a palavra meia-luz.

c) reforça a palavra meia-luz.

d) explica a palavra meia-luz.

e) amplia a palavra meia-luz.

51) Infere-se do texto que:

a) os historiadores detestaram o século XVII.

b) os mais belos momentos da história encantam certas pessoas.

c) o século XVI foi tão importante quanto o século XVIII.

d) a história do Rio de Janeiro está repleta de coisas interessantes.

e) os historiadores se interessam menos pelos séculos XVI e XVIII do que pelo século XVII.

TEXTO XII

Acho que foi uma premonição, uma vez que ele já tinha declarado que “A Fraternidade é Vermelha” seria seu último filme. Foi o cineasta contemporâneo que conseguiu chegar mais perto do conceito de Deus. Poderia ter feito muito mais filmes, mas foi vítima do totalitarismo socialista.

(Leon Cakoff, no Jornal da Tarde, 14/13/96)

52) O totalitarismo socialista:

a) atrapalhou a carreira do cineasta.

b) manteve-se alheio à carreira do cineasta.

c) interrompeu a carreira do cineasta.

d) incentivou a carreira do cineasta.

e) fiscalizou a carreira do cineasta.

53) “A Fraternidade é Vermelha”:

a) foi um filme de repercussão nos meios religiosos.

b) foi o primeiro filme de sucesso do cineasta.

c) não abordava o assunto Deus.

d) foi o melhor filme do cineasta.

e) foi o último filme do cineasta.

54) Provavelmente, o cineasta:

a) agradou, por ser materialista.

b) agradou por falar de Deus.

c) desagradou por falar de Deus.

d) desagradou por não falar de Deus.

e) não sabia nada sobre Deus.

55) Levando-se em conta o caráter materialista usualmente atribuído aos socialistas, o título do filme seria, em princípio:

a) uma redundância

b) uma ambigüidade

c) um paradoxo

d) uma qualificação

e) uma incoerência

56) A palavra “premonição” se justifica porque:

a) seu filme foi um sucesso.

b) o cineasta falava de Deus.

c) o cineasta não quis fazer mais filmes.

d) a “Fraternidade é Vermelha” foi seu último filme.

e) o cineasta foi vítima do totalitarismo socialista.

57) A palavra “Vermelha” eqüivale no texto a:

a) totalitária

b) comunista

c) socialista

d) materialista

e) espiritualista

58) O conectivo que não poderia substituir “uma vez que” no texto é:

a) porque

b) pois

c) já que

d) porquanto

e) se bem que
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André Carvalho

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Re: 800 questões sobre Interpretação de texto.

Mensagem por André Carvalho em Qui Ago 07, 2014 9:34 am

TEXTO XIII

Nem todas as plantas hortícolas se dão bem durante todo o ano; por isso é preciso fazer uma estruturação dos canteiros a fim de manter-se o equilíbrio das plantações. Com o sistema indicado, não faltarão verduras durante todo ano, sejam folhas, legumes ou tubérculos.

(Irineu Fabichak, in Horticultura ao Alcance de Todos)

59) Segundo o texto:

a) todas as plantas hortícolas não se dão bem durante todo o ano.

b) todas as plantas hortícolas se dão bem durante todo o ano.

c) todas as plantas hortícolas se dão mal durante todo o ano.

d) algumas plantas hortícolas se dão bem durante todo o ano.

e) nenhuma planta hortícola se dá mal durante todo o ano.

60) Para manter o equilíbrio das plantações é necessário:

a) estruturar de maneira mais lógica e racional os canteiros.

b) fazer mais canteiros, mas ordenando-os de maneira lógica e

racional.

c) fazer o plantio em épocas diferentes.

d) construir canteiros emparelhados.

e) manter sempre limpos os canteiros

61) A conjunção “por isso” só não pode ser substituída por:

a) portanto

b) logo

c) então

d) porque

e) assim

62) Segundo o último parágrafo do texto:

a) tubérculos não são verduras.

b) legumes são o mesmo que tubérculos.

c) folhas, legumes e tubérculos são a mesma coisa.

d) haverá verduras o ano todo, inclusive folhas, legumes e tubérculos.

e) haverá folhas, legumes e tubérculos o ano todo.

TEXTO XIV

Aquisição à vista. A Bauducco, maior fabricante de panetones do país, está negociando a compra de sua maior concorrente, a Visconti, subsidiária brasileira da italiana Visagis. O negócio vem sendo mantido sob sigilo pelas duas empresas em razão da proximidade do Natal. Seus controladores temem que o anúncio dessa união - resultando numa espécie de AmBev dos panetones - melindre os varejistas.

(Cláudia Vassallo, na Exame, dez./99)

63) As duas empresas (/. 4) de que fala o texto são:

a) Bauducco e Visagis

b) Visconti e Visagis

c) AmBev e Bauducco

d) Bauducco e Visconti

e) Visagis e AmBev

64) A aproximação do Natal é a causa:

a) da compra da Visconti

b) do sigilo do negócio

c) do negócio da Bauducco

d) do melindre dos varejistas

e) do anúncio da união

65) Uma outra causa para esse fato seria:

a) a primeira colocação da Bauducco na fabricação de panetones

b) o fato de a Visconti ser uma multinacional

c) o fato de a AmBev entrar no mercado de panetones

d) o possível melindre dos varejistas

e) o fato de a Visconti ser concorrente da Bauducco

66) Por “aquisição à vista” entende-se, no texto:

a) que a negociação é provável.

b) que a negociação está distante, mas vai acontecer.

c) que o pagamento da negociação será feito em uma única parcela.

d) que a negociação dificilmente ocorrerá.

e) que a negociação está próxima.

TEXTO XV

Um anjo dorme aqui; na aurora apenas, disse adeus ao brilhar das açucenas em ter da vida alevantado o véu.

- Rosa tocada do cruel granizo Cedo finou-se e no infantil sorriso passou do berço pra brincar no céu!

(Casimiro de Abreu, in Primaveras)

67) O tema do texto é:

a) a inocência de uma criança

b) o nascimento de uma criança

c) o sofrimento pela morte de uma criança

d) o apego do autor por uma certa criança

e) a morte de uma criança

68) O tema se desenvolve com base em uma figura de linguagem conhecida como:

a) prosopopéia

b) hipérbole

c) pleonasmo

d) metonímia

e) eufemismo

69) No âmbito do poema, podemos dizer que pertencem ao mesmo campo semântico as palavras:

a) aurora e véu

b) anjo e rosa

c) granizo e sorriso

d) berço e céu

e) cruel e infantil

70) As palavras que respondem ao item anterior são:

a) uma antítese em relação à vida

b) hipérboles referentes ao destino

c) personificações alusivas à morte

d) metáforas relativas à criança

e) pleonasmos com relação à dor.

71) Por “sem ter da vida alevantado o véu” entende-se:

a) sem ter nascido

b) sem ter morrido cedo

c) sem ter conhecido bem a vida

d) sem viver misteriosamente

e) sem poder relacionar-se com as outras pessoas

72) “Na aurora apenas” é o mesmo que:

a) somente pela manhã

b) no limiar somente

c) apenas na alegria

d) só na tristeza

e) só no final

TEXTO XVI

Julgo que os homens que fazem a política externa do Brasil, no Itamaraty, são excessivamente pragmáticos. Tiveram sempre vida fácil, vêm da elite brasileira e nunca participaram, eles próprios, em combates contra a ditadura, contra o colonialismo. Obviamente não têm a sensibilidade de muitos outros países ou diplomatas que conheço.

(José Ramos-Horta, na Folha de São Paulo, 21/10/96)

73) Só não caracteriza os homens do Itamaraty:

a) o pragmatismo

b) a falta de sensibilidade

c) a luta contra a ditadura

d) a tranqüilidade da vida

e) as raízes na elite do Brasil

74) A palavra que não se liga semanticamente aos homens do Itamaraty é:

a) o segundo que (/. 1)

b) tiveram (/. 2)

c) vêm (/. 3)

d) eles (/. 3)

e) o terceiro que (/. 5)

75) Pelo visto, o autor gostaria de que os homens do Itamaraty tivessem mais:

a) inteligência

b patriotismo

c) vivência

d) coerência

e) grandeza

76) A oração iniciada por “obviamente” tem um claro valor de:

a) conseqüência

b) causa

c) comparação

d) condição

e) tempo

77) A palavra que pode substituir, sem prejuízo do sentido, a palavra “obviamente” (/. 4), é:

a) necessariamente

b) realmente

c) justificadamente

d) evidentemente

e) comprovadamente

78) Só não pode ser inferido do texto:

a) nem todo diplomata é excessivamente pragmático.

b) ter lutado contra o colonialismo é importante para a carreira de diplomata.

c) Nem todo diplomata vem da elite brasileira.

d) ter vida fácil é característica comum a todo tipo de diplomata.

e) há diplomatas mais sensíveis que outros.

TEXTO XVII

Se essa ainda é a situação de Portugal e era, até bem pouco, a do Brasil, havemos de convir em que no Brasil-colônia, essencialmente rural, com a ojeriza que lhe notaram os nossos historiadores pela vida das cidades - simples pontos de comércio ou de festividades religiosas -, estas não podiam exercer maior influência sobre a evolução da língua falada, que, sem nenhum controle normativo, por séculos “voou com as suas próprias asas”.

(Celso Cunha, in A Língua Portuguesa e a Realidade Brasileira)

79) Segundo o texto, os historiadores:

a) tinham ojeriza pelo Brasil-colônia.

b) consideram as cidades do Brasil-colônia como simples pontos de comércio ou de festividades religiosas.

c) consideram o Brasil-colônia essencialmente rural.

d) observaram a ojeriza que a vida nas cidades causava.

e) consideram o campo mais importante que as cidades.

80) Para o autor:

a) as festas religiosas têm importância para a evolução da língua falada.

b) No Brasil-colônia, havia a prevalência da vida do campo sobre a das cidades.

c) a evolução da língua falada dependia em parte dos pontos de comércio.

d) a evolução da língua falada independe da condição de Brasilcolônia.

e) a situação do Brasil na época impedia a evolução da língua falada.

81) A palavra “ojeriza” (/. 3) significa, no texto:

a) medo

b) admiração

c) aversão

d) dificuldade

e) angústia

82) A língua falada “voou com as suas próprias asas” porque:

a) as cidades eram pontos de festividades religiosas.

b) o Brasil se distanciava lingüisticamente de Portugal.

c) faltavam universidades nos centros urbanos.

d) não se seguiam normas lingüísticas.

e) durante séculos, o controle normativo foi relaxado, por ser o Brasil uma colônia portuguesa.

83) Segundo o texto, a população do Brasil-colônia:

a) à vida do campo preferia a da cidade.

b) à vida da cidade preferia a do campo.

c) não tinha preferência quanto à vida do campo ou à da cidade.

d) preferia a vida em Portugal, mas procurava adaptar-se à situação.

e) preferia a vida no Brasil, fosse na cidade ou no campo.

TEXTO XVIII

Ainda falta um bom tempo para a aposentadoria da maior parte deles, mas a Andrade Gutierrez já tem pronto um estudo sobre a sucessão de 20 de seus principais executivos, quase todos na faixa entre 58 e 62 anos. Seus substitutos serão escolhidos entre 200 integrantes de um time de aspirantes. Eduardo Andrade, o atual superintendente, que já integra o conselho de administração da empreiteira mineira, deverá ir se afastando aos poucos do dia-a-dia dos negócios. Para os outros executivos, que deverão ser aproveitados como consultores, a aposentadoria chegará a médio prazo.

(José Maria Furtado, na Exame, dez./99)

84) Se começarmos o primeiro período do texto por “A Andrade Gutierrez já tem pronto...”, teremos, como seqüência coesa e coerente:

a) visto que ainda falta um bom tempo para a aposentadoria da maior parte deles.

b) por ainda faltar um bom tempo para a aposentadoria da maior parte deles.

c) se ainda faltar um bom tempo para a aposentadoria da maior parte deles.

d) embora ainda falte um bom tempo para a aposentadoria da maior parte deles.

e) à medida que ainda falta um bom tempo para a aposentadoria da maior parte deles.

85) Segundo o texto:

a) 20 grandes executivos da empresa se aposentarão a médio prazo.

b) 20 grandes executivos da empresa acham-se na faixa entre 58 e 62 anos.

c) nenhum dos 20 grandes executivos se aposentará a curto prazo.

d) Eduardo Andrade é um executivo na faixa dos 58 a 62 anos.

e) a empresa vai substituir seus vinte principais executivos a curto e médio prazos.

86) A empresa, no que toca à aposentadoria de seus executivos, mostra-se:

a) precipitada

b) cautelosa

c) previdente

d) rígida

e) inflexível

87) Sobre o executivo Eduardo Andrade, não se pode afirmar:

a) ocupa, no momento, a superintendência.

b) é um dos conselheiros.

c) será substituído por um dos 200 aspirantes.

d) está se afastando dos negócios da empresa.

e) será o primeiro dos 20 grandes executivos a se aposentar.

88) Sobre a Andrade Gutierrez, não é correto afirmar:

a) é empresa de obras.

b) é do estado de Minas Gerais.

c) preocupa-se com seus funcionários.

d) mantém-se alheia a qualquer tipo de renovação.

e) procura manter vínculo com executivos aposentados.

TEXTO XIX

Toda saudade é a presença da ausência de alguém, de algum lugar, de algo enfim.

Súbito o não toma forma de sim como se a escuridão se pusesse a luzir.

5 Da própria ausência de luz o clarão se produz,

o sol na solidão.

Toda saudade é um capuz transparente que veda e ao mesmo tempo traz a visão 10 do que não se pode ver porque se deixou pra trás mas que se guardou no coração.

(Gilberto Gil)

89) Por “presença da ausência” pode-se entender:

a) ausência difícil

b) ausência amarga

c) ausência sentida

d) ausência indiferente

e) ausência enriquecedora

90) Para o autor, a saudade é algo:

a) que leva ao desespero.

b) que só se suporta com fé.

c) que ninguém deseja.

d) que transmite coisas boas.

e) que ilude as pessoas.

91) O texto se estrutura a partir de antíteses, ou seja, emprego de palavras ou expressões de sentido contrário. O par de palavras ou expressões que não apresentam no texto essa propriedade antitética é:

a) presença (/. 1) / ausência (/. 1)

b) não (/. 3) / sim (/. 3)

c) ausência de luz (/. 5) / clarão (/. 6)

d) sol (/. 7) / solidão (/. 7)

e) que veda (/. 9) / traz a visão (/. 9)

92) Segundo o texto:

a) sente-se saudade de pessoas, e não de coisas.

b) as coisas ruins podem transformar-se em coisas boas.

c) as coisas boas podem transformar-se em coisas ruins.

d) a saudade, como um capuz, não nos permite ver com clareza a situação que vivemos.

e) a saudade, como um capuz, não nos deixa perceber coisas que ficaram em nosso passado.

93) O que se guarda no coração é:

a) a saudade

b) o clarão

c) o que se deixou para traz

d) a visão

e) o que não se pode ver

TEXTO XX

Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no intróito, mas no cabo: diferença radical entre este livro e o Pentateuco.

(Machado de Assis, in Memórias Póstumas de Brás Cubas)

94) Pode-se afirmar, com base nas idéias do autor-personagem, que se trata:

a) de um texto jornalístico

b) de um texto religioso

c) de um texto científico

d) de um texto autobiográfico

e) de um texto teatral

95) Para o autor-personagem, é menos comum:

a) começar um livro por seu nascimento.

b) não começar um livro por seu nascimento, nem por sua morte.

c) começar um livro por sua morte.

d) não começar um livro por sua morte.

e) começar um livro ao mesmo tempo pelo nascimento e pela morte.

96) Deduz-se do texto que o autor-personagem:

a) está morrendo.

b) já morreu.

c) não quer morrer.

d) não vai morrer.

e) renasceu.

97) A semelhança entre o autor e Moisés é que ambos:

a) escreveram livros.

b) se preocupam com a vida e a morte.

c) não foram compreendidos.

d) valorizam a morte.

e) falam sobre suas mortes.

98) A diferença capital entre o autor e Moisés é que:

a) o autor fala da morte; Moisés, da vida.

b) o livro do autor é de memórias; o de Moisés, religioso.

c) o autor começa pelo nascimento; Moisés, pela morte.

d) Moisés começa pelo nascimento; o autor, pela morte.

e) o livro do autor é mais novo e galante do que o de Moisés.

99) Deduz-se pelo texto que o Pentateuco:

a) não fala da morte de Moisés.

b) foi lido pelo autor do texto.

c) foi escrito por Moisés.

d) só fala da vida de Moisés.

e) serviu de modelo ao autor do texto.

100) Autor defunto está para campa, assim como defunto autor para:

a) intróito

b) princípio

c) cabo

d) berço

e) fim

101) Dizendo-se um defunto autor, o autor destaca seu (sua):

a) conformismo diante da morte ;

b) tristeza por se sentir morto

c) resistência diante dos obstáculos trazidos pela nova situação

d) otimismo quanto ao futuro literário

e) atividade apesar de estar morto

TEXTO XXI

Segunda maior produtora mundial de embalagem longa vida, a SIG Combibloc, principal divisão do grupo suíço SIG, prepara a abertura de uma fábrica no Brasil. A empresa, responsável por 1 bilhão do 1,5 bilhão de dólares de faturamento do grupo, chegou ao país há dois anos disposta 5 a brigar com a líder global, Tetrapak, que detém cerca de 80% dos negócios nesse mercado. Os estudos para a implantação da fábrica foram recentemente concluídos e apontam para o Sul do país, pela facilidade logística junto ao Mercosul. Entre os oito atuais clientes da Combibloc na região estão a Unilever, com a marca de atomatado Malloa, no Chile, e a 10 italiana Cirio, no Brasil.

(Denise Brito, na Exame, dez./99)

102) Segundo o texto, a SIG Combibloc:

a) produz menos embalagem que a Tetrapak.

b) vai transferir suas fábricas brasileiras para o Sul.

c) possui oito clientes no Brasil.

d) vai abrir mais uma fábrica no Brasil.

e) possui cliente no Brasil há dois anos, embora não esteja instalada

no país.

103) Segundo o texto:

a) O Mercosul não influiu na decisão de instalar uma fábrica no Sul.

b) a SIG Combibloc está entrando no ramo de atomatado.

c) a empresa suíça SIG ocupa o 2o lugar mundial na produção de

embalagem longa vida.

d) a Unilever é empresa chilena.

e) a SIG Combibloc detém 2/3 do faturamento do grupo.

104) Os estudos apontam para o Sul porque:

a) o clima favorece a produção de embalagens longa vida.

b) está próximo aos demais países que compõem o Mercosul.

c) a Cirio já se encontra estabelecida ali. -v-.v.

d) nos países do Mercosul já há clientes da Combibloc.

e) o Sul é uma região desenvolvida e promissora.

105) “...que detém cerca de 80% dos negócios nesse mercado.” (/. 5-6) Das alterações feitas nessa passagem do texto, a que não mantém o sentido original é:

a) a qual detém cerca de 80% dos negócios em tal mercado.

b) que possui perto de 80% dos negócios nesse mercado.

c) que detém aproximadamente 80% dos negócios em tais mercados.

d) a qual possui aproximadamente 80% dos negócios nesse mercado.

e) a qual detém perto de 80% dos negócios nesse mercado.

106) “...e apontam para o Sul do país...” O trecho destacado só não pode ser entendido, no texto, como:

a) e indicam o Sul do pai

b) e recomendam o Sul do país

c) e incluem o Sul do país

d) e aconselham o Sul do país

e) e sugerem o Sul do país

TEXTO XXII

Pode dizer-se que a presença do negro representou sempre fator obrigatório no desenvolvimento dos latifúndios coloniais. Os antigos moradores da terra foram, eventualmente, prestimosos colaboradores da indústria extrativa, na caça, na pesca, em determinados ofícios 5 mecânicos e na criação do gado. Dificilmente se acomodavam, porém, ao trabalho acurado e metódico que exige a exploração dos canaviais. Sua tendência espontânea era para as atividades menos sedentárias e que pudessem exercer-se sem regularidade forçada e sem vigilância e fiscalização de estranhos.

(Sérgio Buarque de Holanda, in Raízes)

107) Segundo o autor, os antigos moradores da terra:

a) foram o fator decisivo no desenvolvimento dos latifúndios coloniais.

b) colaboravam com má vontade na caça e na pesca.

c) não gostavam de atividades rotineiras.

d) não colaboraram com a indústria extrativa.

e) levavam uma vida sedentária.

108) “Trabalho acurado” (l. 6) é o mesmo que:

a) trabalho apressado

b) trabalho aprimorado

c) trabalho lento

d) trabalho especial

e) trabalho duro

109) Na expressão “tendência espontânea” (/. 7), temos uma(a):

a) ambigüidade

b) cacofonia

c) neologismo

d) redundância

e) arcaísmo

110) Infere-se do texto que os antigos moradores da terra eram:

a) os portugueses

b) os negros

c) os índios

d) tanto os índios quanto os negros

e) a miscigenação de portugueses e índios

111) Pelo visto, os antigos moradores da terra não possuíam muito (a):

a) disposição

b) responsabilidade

c) inteligência

d) paciência

e) orgulho

TEXTO XXIII

Com todo o aparato de suas hordas guerreiras, não conseguiram as bandeiras realizar jamais a façanha levada a cabo pelo boi e pelo vaqueiro. Enquanto que aquelas, no desbravar, sacrificavam indígenas aos milhares, despovoando sem fixarem-se, estes foram 5 pontilhando de currais os desertos trilhados, catequizando o nativo para seus misteres, detendo-se, enraizando-se. No primeiro caso era o ir-evoltar; no segundo, era o ir-e-ficar. E assim foi o curral precedendo a fazenda e o engenho, o vaqueiro e o lavrador, realizando uma obra de conquista dos altos sertões, exclusive a pioneira.

(José Alípio Goulart, in Brasil do Boi)

112) Segundo o texto:

a) tudo que as bandeiras fizeram foi feito também pelo boi e pelo vaqueiro.

b) o boi e o vaqueiro fizeram todas as coisas que as bandeiras fizeram.

c) nem as bandeiras nem o boi e o vaqueiro alcançaram seus objetivos.

d) o boi e o vaqueiro realizaram seu trabalho porque as bandeiras abriram o caminho.

e) o boi e o vaqueiro fizeram coisas que as bandeiras não conseguiram fazer.

113) Com relação às bandeiras, não se pode afirmar que:

a) desbravaram

b) mataram

c) catequizaram

d) despovoaram

e) não se fixaram

114) Os índios foram:

a) maltratados

b) aviltados

c) expulsos

d) presos

e) massacrados

115) O par que não caracteriza a oposição existente entre as bandeiras e o boi e o vaqueiro é:

a) aquelas (/. 3) / estes (/. 4)

b) ir-e-voltar (/. 6/7) / ir-e-ficar (/. 7)

c) no primeiro caso (/. 6) / no segundo (/. 7)

d) enquanto (/. 3) / e assim [1.7)

e) despovoando (/. 4) / pontilhando (/. 5)

116) “...catequizando o nativo para seus misteres...” Das alterações feitas na passagem acima, a que altera basicamente o seu sentido é:

a) doutrinando o indígena para seus misteres

b) catequizando o aborigine para suas atividades

c) evangelizando o nativo para seus ofícios

d) doutrinando o nativo para seus cuidados

e) catequizando o autóctone para suas tarefas

117) O elemento conector que pode substituir a preposição com (/. 1), mantendo o sentido e a coesão textual, é:

a) mesmo

b) não obstante

c) de

d) a respeito de

e) graças a

118) “...o aparato de suas hordas guerreiras...” sugere que as conquistas dos bandeirantes ocorreram com:

a) organização e violência

b) rapidez e violência

c) técnica e profundidade

d) premeditação e segurança

e) demonstrações de racismo e violência

TEXTO XXIV

Você se lembra da Casas da Banha? Pois é, uma pesquisa mostra que mais de 60% dos cariocas ainda se recordam daquela que foi uma das maiores redes de supermercados do país, com 224 lojas e 20.000 funcionários, desaparecida no início dos anos 90. Por isso, seus antigos 5 donos, a família Velloso, decidiram ressuscitá-la. Desta vez, porém, apenas virtualmente. Os Velloso fizeram um acordo com a GW.Commerce, de Belo Horizonte, empresa que desenvolve programas para supermercados virtuais. Em troca de uma remuneração sobre o faturamento, A GW gerenciará as vendas para a família Velloso. A família cuidará apenas das 10 compras e das entregas.

(José Maria Furtado, na Exame, dez./99)

119) Segundo o texto, a família Velloso resolveu ressuscitar as Casas da Banha porque:

a) a rede teve 224 lojas e 20.000 funcionários.

b) a rede foi desativada no início dos anos 90.

c) uma empresa do ramo de programas para supermercados propôs um acordo vantajoso, em que a rede só entraria com as compras e as entregas.

d) mais da metade dos cariocas não esqueceram as Casas da Banha.

e) a rede funcionará apenas virtualmente.

120) A palavra ou expressão que justifica a resposta ao item anterior é:

a) Você (/. 1) . ,.. . b)

desaparecida (/. 4)

c) Por isso (/. 4)

d) Desta vez (/. 5)

e) acordo {l. 6)

121) “Desta vez, porém, apenas virtualmente.”

Com a passagem destacada acima, entende-se que as Casas da Banha:

a) funcionarão virtualmente, ou seja, sem fins lucrativos.

b) não venderão produtos de supermercado.

c) estão associando-se a uma empresa de informática.

d) estão mudando de ramo.

e) não venderão mais seus produtos em lojas.

122) O pronome “Ia” (/. 5) não pode ser, semanticamente, associado a:

a) Casas da Banha (/. 1)

b) pesquisa (/. 1)

c) daquela (/. 2)

d) uma (/. 3)

e) desaparecida (/. 4)

TEXTO XXV

A fábrica brasileira da General Motors em Gravataí, no Rio Grande do Sul, será usada como piloto para a implementação do novo modelo de negócios que está sendo desenhado mundialmente pela montadora. A meta da GM é transformar-se numa companhia totalmente 5 voltada para o comércio eletrônico. A partir do ano 2000, a Internet passará a nortear todos os negócios do grupo, envolvendo desde os fornecedores de autopeças até o consumidor final. “A planta de Gravataí representa a imagem do futuro para toda a GM”, afirma Mark Hogan, ex-presidente da filial brasileira e responsável pela nova divisão e-GM.

(Lidia Rebouças, na Exame, dez./99)

123) Segundo o texto:

a) a GM é uma empresa brasileira instalada em Gravataí.

b) a montadora fez da fábrica brasileira de Gravataí um modelo para todas as outras fábricas espalhadas pelo mundo.

c) no Rio Grande do Sul, a GM implementará um modelo de fábrica semelhante ao que está sendo criado em outras partes do mundo.

d) a fábrica brasileira da GM vinha sendo usada de acordo com o modelo mundial, mas a montadora pretende alterar esse quadro.

e) a GM vai utilizar a fábrica do Rio Grande do Sul como um protótipo do que será feito em termos mundiais.

124) A opção que contraria as idéias contidas no texto é:

a) A GM vai modificar, a partir de 2000, a forma de fazer negócios.

b) Será grande a importância da Internet nos negócios da GM.

c) O consumidor final só poderá, a partir de 2000, negociar pela Internet.

d) O comércio eletrônico está nos planos da GM para o ano 2000.

e) A fábrica brasileira é considerada padrão pelo seu ex-presidente.

125)Deduz-se, pelo texto, que a fábrica brasileira:

a) será norteada pela Internet.

b) terá seu funcionamento modificado para adaptar-se às

necessidades do mercado.

c) será transferida para Gravataí.

d) estará, a partir de 2000, parcialmente voltada para o comércio eletrônico.

e) seguirá no mesmo ritmo de outras empresas da GM atualmente funcionando no mundo.

126) Por “implementação” (/. 2), pode-se entender:

a) complementação

b) suplementação

c) exposição

d) realização

e) facilitação

127) Segundo as idéias contidas no texto, a transformação que se propõe a GM:

a) não tem apoio dos fornecedores.

b) tem apoio do consumidor final.

c) tem prazo estabelecido.

d) é inexeqüível.

e) não tem lugar marcado.

TEXTO XXVI

MAR PORTUGUÊS

Ó Mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal!

Por te cruzarmos, quantas mães choraram!

Quantos filhos em vão rezaram!

5 Quantas noivas ficaram por casarpara que tu fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena se a alma não é pequena.

Quem quer passar além do Bojador 10 tem que passar além da dor.

Deus ao mar o perigo e o abismo deu, mas nele é que espelhou o céu!

(Fernando Pessoa, in Mensagem)

128) Segundo o poeta, o sofrimento do povo ocorreu:

a) apesar das conquistas portuguesas

b) em virtude das conquistas portuguesas v

c) para as conquistas portuguesas

d) antes das conquistas portuguesas

e) após as conquistas portuguesas

129) A metáfora existente nos dois primeiros versos do poema estabelece:

a) a força moral de Portugal

b) a incoerência do sofrimento diante das conquistas

c) a importância do sofrimento para que o povo deixe de sofrer

d) a profunda união entre as conquistas e o sofrimento do povo

e) a inutilidade das conquistas portuguesas

130) Além da metáfora, os dois primeiros versos contêm:

a) prosopopéia, epíteto de natureza, eufemismo

b) antítese, pleonasmo, eufemismo

c) apóstrofe, epíteto de natureza, metonímia

d) prosopopéia, pleonasmo, antítese

e) apóstrofe, hipérbole, sinestesia

131) “Quantos filhos em vão rezaram!” Com este verso, entendemos que:

a) o sofrimento do povo foi inútil.

b) o povo português da época era muito religioso.

c) muita gente perdeu entes queridos por causa das conquistas portuguesas.

d) a força da fé contribuiu efetivamente para as conquistas do país.

e) a religiosidade do povo português era inútil.

132) As palavras que melhor definem o povo português, de acordo com as idéias contidas no texto, são:

a) fé e competência

b) inteligência e maturidade

c) orgulho e religiosidade

d) perseverança e ambição

e) grandeza e tenacidade

133) Segundo o texto, para se ir sempre adiante é necessário:

a) crer no destino

b) aceitar a dor

c) viver com alegria

d) vencer o sofrimento

e) objetivar sempre o progresso

134) Por um processo anafórico, a palavra nele (/. 12) tem como referente no texto:

a) Mar (/. 1)

b) Deus (/.11)

c) perigo (/.11)

d) abismo (/.11)

e) céu (/.12)

TEXTO XXVII

Vale recordar que foi nesse século (o XVIII) que apareceram ese generalizaram em certas regiões do Brasil as famosas “tropas demuares” que, daí por diante, até o fim do século XIX e mesmo nos anostranscorridos do séc. XX, dividiram com os carros de bois as tarefas dos5 transportes por terra no interior do Brasil. Nos caminho s rudimentaresque então possuíamos, transformados em lamaçais na estação das chuvase no verão reduzidos a ásperas trilhas, quase intransitáveis, foram os carrosde bois e as tropas os únicos meios e ligação dos núcleos de povoamentoentre si e entre eles e as roças e lavouras. De outra forma não se venceriam10 os obstáculos naturais.

(B. J. de Souza, in Ciclo)

135) Segundo o texto, os carros de bois:

a) transportavam sozinhos pessoas e mercadorias no interior do Brasil.

b) surgiram no século XVIII, juntamente com as tropas de muares.

c) sucederam as tropas de muares no transporte de pessoas e mercadorias.

d) só transportavam mercadorias.

e) eram úteis, como as tropas de muares, por causa do estado ruim dos terrenos.

136) A estação das chuvas e o verão:

a) contribuíram para o desaparecimento dos carros de bois a partir do século XX.

b) não tiveram influência no uso das tropas de muares, pois os caminhos eram rudimentares.

c) foram fator determinante para o progresso do interior do Brasil.

d) contribuíram para a necessidade do uso de tropas de muares e de carros de bois.

e) impediam a comunicação dos núcleos de povoamento entre si.

137) Os obstáculos naturais só foram vencidos:

a) por causa do clima

b) por causa da força do povo

c) porque nem sempre os caminhos se tornavam lamaçais

d) porque os núcleos de povoamento continuavam ligados às roças e às lavouras

e) por causa da utilização das tropas de muares e dos carros de bois

138) As tropas de muares só não podem ser entendidas como tropas:

a) de cavalos

b) de mulos

c) de burros

d) de mus

e) de bestas

139) O transporte de que fala o texto só não deve ter sido, na época:

a) lento e penoso

b) difícil, mas necessário

c) duro e nostálgico

d) vagaroso e paciente

e) pachorrento, mas útil

TEXTO XXVIII

O liberalismo é uma teoria política e econômica que exprime os anseios da burguesia. Surge em oposição ao absolutismo dos reis e à teoria econômica do mercantilismo, defendendo os direitos da iniciativa privada e restringindo o mais possível as atribuições do Estado.

Locke foi o primeiro teórico liberal. Presenciou na Inglaterra as lutas pela deposição dos Stuarts, tendo se refugiado na Holanda por questões políticas. De lá regressa quando, vitoriosa a Revolução de 1688, Guilherme de Orange é chamado para consolidar a nova monarquia parlamentar inglesa.

(Maria Lúcia de Arruda Aranha, in História da Educação)

140) Segundo o texto, Locke:

a) participou da deposição dos Stuarts.

b) tinha respeito pelo absolutismo.

c) teve participação apenas teórica no liberalismo.

d) julgava ser necessário restringir as atribuições do Estado.

e) não sofreu qualquer tipo de perseguição política.

141) Infere-se do texto que os burgueses seriam simpáticos:

a) ao absolutismo

b) ao liberalismo

c) às atribuições do Estado

d) à perseguição política de Locke

e) aos Stuarts

142) A Revolução de 1688 foi vitoriosa porque:

a) derrubou o absolutismo.

b) implantou o liberalismo.

c) preservou os direitos de iniciativa privada.

d) baseou-se nas idéias liberais de Locke.

e) permitiu que Locke voltasse da Holanda.

143) “...que exprime os anseios da burguesia.” [l. 1/2) Das alterações feitas na passagem acima, aquela que altera substancialmente seu sentido é:

a) a qual expressa os anseios da burguesia.

b) a qual exprime os desejos da burguesia.

c) que representa os anelos da burguesia.

d) que expressa os valores da burguesia.

e) que representa as ânsias da burguesia.

144) A teoria política do liberalismo se opunha:

a) a parte da burguesia

b) ao mercantilismo

c) à monarquia parlamentar

d) a Guilherme de Orange

e) ao absolutismo

145) Infere-se do texto que Guilherme de Orange:

a) não seria simpático aos burgueses.

b) teria ligações com os reis absolutistas.

c) teria idéias liberais.

d) não concordaria com Locke.

e) teria apoiado o exílio de Locke na Holanda.

TEXTO XXIX

BUROCRATAS CEGOS

A decisão, na sexta-feira, da juíza Adriana Barreto de Carvalho Rizzotto, da 7a Vara Federal do Rio, determinando que a Light e a Cerj também paguem bônus aos consumidores de energia que reduziram o consumo entre 100 kWh e 200 kWh fez justiça.

5 A liminar vale para todos os brasileiros. Quando o Governo se lançou nessa difícil tarefa do racionamento, não contou com tamanha solidariedade dos consumidores. Por isso, deixou essa questão dos bônus em suspenso. Preocupada com os recursos que o Governo federal terá que desembolsar com os prêmios, a Câmara de Gestão da Crise de Energia 10 tem evitado encarar essa questão, muito embora o próprio presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, já tenha dito que o bônus será pago.

Decididamente, os consumidores não precisavam ter lançado mão da Justiça para poder ter a garantia desse direito. Infelizmente, o 15 permanente desrespeito ao contribuinte ainda faz parte da cultura dos burocratas brasileiros. Estão constantemente preocupados em preservar a máquina do Estado. Jamais pensam na sociedade e nos cidadãos. Agem como se logo mais na frente não precisassem da população para vencer as barreiras de mais essa crise.

(Editorial de O Dia, 19/8/01)

146) De acordo com o texto:

a) a juíza expediu a liminar porque as companhias de energia elétrica se negaram a pagar os bônus aos consumidores.

b) a liminar fez justiça a todos os tipos de consumidores.

c) a Light e a Cerj ficarão desobrigadas de pagar os bônus se o Governo fizer a sua parte.

d) o excepcional retorno dado pelos consumidores de energia tomou de surpresa o Governo.

e) o Governo pagará os bônus, desde que as companhias de energia elétrica também o façam.

147) Só não se depreende do texto que:

a) os burocratas brasileiros desrespeitam sistematicamente o contribuinte.

b) o governo não se preparou para o pagamento dos bônus.

c) o chefe do executivo federal garante que os consumidores receberão o pagamento dos bônus.

d) a Câmara de Gestão está preocupada com os gastos que terá o Governo com o pagamento dos bônus.

e) a única forma de os consumidores receberem o pagamento dos bônus é apelando para a Justiça.

148) De acordo com o texto, a burocracia brasileira:

a) vem ultimamente desrespeitando o contribuinte.

b) sempre desrespeita o contribuinte.

c) jamais desrespeitou o contribuinte.

d) vai continuar desrespeitando o contribuinte.

e) deixará de desrespeitar o contribuinte.

149) A palavra que justifica a resposta ao item anterior é:

a) infelizmente (l. 14)

b) constantemente (/. 16)

c) cultura (/. 15)

d) jamais (/. 17)

e) permanente (/. 15)

150) Os burocratas brasileiros:

a) ignoram o passado.

b) não valorizam o presente.

c) subestimam o passado.

d) não pensam no futuro.

e) superestimam o futuro.

151) Pode-se afirmar, com base nas idéias do texto:

a) A Câmara de Gestão defende os interesses da Light e da Cerj.

b) O presidente da República espera poder pagar os bônus aos consumidores.

c) Receber o pagamento dos bônus é um direito do contribuinte, desde que tenha reduzido o consumo satisfatoriamente.

d) Os contribuintes não deveriam ter recorrido à Justiça, porque a Câmara de Gestão garantiu o pagamento dos bônus.

e) A atuação dos burocratas brasileiros deixou a Câmara de Gestão preocupada.

TEXTO XXX

É consenso entre os economistas que o setor automobilístico é o que impulsiona a economia de qualquer país. QUATRO RODAS foi conferir e viu que os números são espantosos. A começar pelo mercado de trabalho. Estima-se que um emprego em uma fábrica de carros gera, 5 indiretamente, 46 outros empregos. Por esse cálculo, 5 milhões de brasileiros dependem, em maior ou menor grau, dessa indústria. Até na construção civil a presença das rodas é enorme: 1 em cada 4 metros quadrados de espaço nas grandes cidades se destina a ruas ou estacionamentos. Na ponta do lápis, o filão da economia relacionado a 10 automóveis movimentou, no ano passado, pelo menos 216 bilhões de dólares. Como o PIB brasileiro, nesse período, foi de 803 bilhões de dólares (e ainda não havia ocorrido a maxidesvalorização), cerca de 1 em cada 4 reais que circularam no país andou sobre rodas em 1998.

(Quatro Rodas, março/99)

152) Segundo o texto, a economia de um país:

a) é ajudada pelo setor automobilístico.

b) independe do setor automobilístico.

c) às vezes depende do setor automobilístico.

d) não pode prescindir do setor automobilístico.

e) fortalece o setor automobilístico.

153) A importância do setor automobilístico é destacada:

a) por boa parte dos economistas

b) pela maioria dos economistas

c) por todos os economistas

d) por alguns economistas

e) pelos economistas que atuam nessa área

154) Pelo texto, verifica-se que:

a) alguns países têm sua economia impulsionada pelo setor automobilístico.

b) o PIB brasileiro seria melhor sem o setor automobilístico.

c) para os economistas, o setor automobilístico tem importância relativa na economia brasileira.

d) cinco milhões de brasileiros têm seu sustento no setor automobilístico.

e) em 1998, três quartos da economia brasileira não tinham relação com o setor automobilístico.

155) “A começar pelo mercado de trabalho.” (/. 3/4) Das alterações feitas na passagem acima, aquela que lhe altera basicamente o sentido é:

a) a princípio pelo mercado de trabalho

b) começando pelo mercado de trabalho

c) em princípio pelo mercado de trabalho

d) principiando pelo mercado de trabalho

e) iniciando pelo mercado de trabalho

156) Segundo o texto, o setor automobilístico:

a) está presente em segmentos diversos da sociedade.

b) limita-se às fábricas de veículos.

c) no ano de 1988 gerou salários de aproximadamente 216 bilhões de dólares.

d) ficou imune à maxidesvalorização.

e) gera, pelo menos, 47 empregos por fábrica de automóveis.

157) A palavra ou expressão que justifica a resposta ao item anterior é:

a) qualquer (/. 2)

b) gera (/. 4)

c) até (/. 6)

d) na ponta do lápis (/. 9)

e) no país (/. 13)

TEXTO XXXI

Vários planetas são visíveis a olho nu: Marte, Júpiter, Vênus, Saturno e Mercúrio. Esses astros já eram conhecidos não apenas dos gregos, mas também de povos ainda mais antigos, como os babilônios.

Apesar de sua semelhança com as estrelas, os planetas eram identificados 5 pelos povos da Antigüidade graças a duas características que os diferenciavam. Primeiro: as estrelas, em curtos períodos, não variam de posição umas em relação às outras. Já os planetas mudam de posição no céu com o passar das horas. À noite, esse movimento pode ser percebido com facilidade. Segundo: as estrelas têm uma luz que, por ser própria, 10 pisca levemente. Já os planetas, que apenas refletem a luz do Sol, têm um brilho fixo. Os planetas mais distantes da Terra só puderam ser descobertos bem mais tarde, com a ajuda de aparelhos ópticos como o telescópio. “O primeiro deles a ser identificado foi Urano, descoberto em 1781 pelo astrônomo inglês William Herschel”, afirma a astrônoma Daniela Lázzaro, 15 do Observatório Nacional do Rio de Janeiro.

(Superinteressante, agosto/01)

158) Com relação às idéias contidas no texto, não se pode afirmar que:

a) os gregos não conheciam o planeta Urano.

b) os gregos, bem como outros povos da Antigüidade, conheciam vários planetas do Sistema Solar.

c) a olho nu, os planetas se assemelham às estrelas.

d) os povos da Antigüidade usavam aparelhos ópticos rudimentares para identificar certos planetas.

e) os povos antigos sabiam diferençar os planetas das estrelas, mesmo sem aparelhos ópticos.

159) Infere-se do texto que a Astronomia é uma ciência que, em dadas circunstâncias, pode prescindir de:

a) estrelas

b) planetas

c) instrumentos

d) astrônomos

e) estrelas, planetas e astrônomos

160) A locução prepositiva “graças a” (/. 5) tem o mesmo valor semântico de:

a) mas também (/. 3)

b) apesar de (/. 3)

c) com (/. Cool

d) por (/. 9)

e) em (/. 13)

161) “Esses astros já eram conhecidos não apenas dos gregos, mas também de povos ainda mais antigos...” Das alterações feitas na passagem acima, aquela que apresenta sensível alteração de sentido é:

a) Esses astros já eram conhecidos não somente dos gregos, como também de povos ainda mais antigos.

b) Tais planetas já eram conhecidos não apenas dos gregos, mas também de povos ainda mais antigos.

c) Esses astros já eram conhecidos não apenas pelos gregos, mas também por povos ainda mais antigos.

d) Esses astros já eram conhecidos tanto pelos gregos, como por povos ainda mais antigos.

e) Esses astros já eram conhecidos não apenas através dos gregos, mas também através de povos mais antigos.

162) A diferença que os antigos já faziam entre estrelas e planetas era de:

a) brilho e posição

b) beleza e posição

c) importância e disposição

d) brilho e importância

e) beleza e disposição

163) Infere-se do texto que o planeta Netuno:

a) era conhecido dos gregos.

b) foi descoberto sem ajuda de aparelhos ópticos.

c) foi descoberto depois de Plutão.

d) foi descoberto depois de Urano.

e) foi identificado por acaso.

164) Segundo o texto, as estrelas:

a) nunca mudam de posição.

b) são iguais aos planetas.

c) não piscam.

d) só mudam de posição à noite.

e) mudam de posição em longos períodos de tempo.

TEXTO XXXII

Não faz muito tempo, a mata virgem, as ondas generosas e as areias brancas da Praia do Rosa, no sul catarinense, despertaram a atenção de surfistas e viajantes em busca de lugares inexplorados. Era meados dos anos 70, e este recanto permanecia exclusivo de poucas famílias de 5 pescadores. O tempo passou e hoje “felizmente”, conforme se ouve em conversas com a gente local, o Rosa não mudou.

Mesmo estando localizada a apenas 70 quilômetros de Florianópolis e vizinha do badalado Balneário de Garopaba, a Praia do Rosa preserva, de forma ainda bruta, suas belezas naturais. É claro que 10 houve mudanças desde sua descoberta pelos forasteiros. Mas, ao contrário de muitos lugarejos de nossa costa que tiveram a natureza devastada pela especulação imobiliária, esta região resiste intacta graças a um pacto entre moradores e donos de pousadas. Uma das medidas adotadas por eles, por exemplo, é que ningué m ocupe mais de 20% de 15 seu terreno com construção. Assim, o verde predomina sobre os morros de frente para o mar azul repleto de baleias. Baleias? Sim, baleias francas, a mais robusta entre as espécies desses mamíferos marinhos, que chegam a impressionantes 18 metros e até 60 toneladas.

(Sérgio T. Caldas, na Os caminhos da Terra, dez./00)

165) Quanto à Praia do Rosa, o autor se contradiz ao falar:

a) da localização

b) dos moradores

c) da mudança

d) do tempo

e) do valor

166) O texto só não nos permite afirmar, com relação à Praia do Rosa:

a) mantém intactas suas belezas naturais.

b) manteve-se imune à especulação imobiliária.

c) não fica distante da capital do Estado.

d) no início dos anos 70, surfistas e exploradores se encantaram com

suas belezas naturais.

e) trata-se de um local tranqüilo, onde todos respeitam a natureza.

167) Pelo visto, o que mais impressionou o autor do texto foi a presença de:

a) moradores

b) baleias

c) surfistas

d) donos de pousadas

e) viajantes

168) O fator determinante para a preservação do Rosa é:

a) a ausência da especulação imobiliária

b) o amor dos moradores pelo lugar

c) a consciência dos surfistas que freqüentam a região

d) o pacto entre moradores e donos de pensão

e) a proximidade de Florianópolis

169) O primeiro período do segundo parágrafo terá o seu sentido alterado se for iniciado por:

a) a despeito de estar localizada

b) não obstante estar localizada

c) ainda que esteja localizada

d) contanto que esteja localizada

e) posto que estivesse localizada

170) 0 adjetivo empregado com valor conotativo é:

a) generosas (/ 1)

b) exclusivo (/. 4)

c) bruta (/. 9)

d) intacta (/. 12)

e) azul (/. 16)

171) O adjetivo “badalado” (/. Cool:

a) pertence à língua literária e significa importante.

b) é linguagem jornalística e significa comentado.

c) pertence à língua popular e significa muito falado.

d) é linguagem científica e significa movimentado.

e) pertence à língua coloquial e significa valiosa.
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André Carvalho

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Re: 800 questões sobre Interpretação de texto.

Mensagem por André Carvalho em Qui Ago 07, 2014 9:35 am

TEXTO XXXIII

A vida é difícil para todos nós. Saber disso nos ajuda porque nos poupa da autopiedade. Ter pena de si mesmo é uma viagem que não leva a lugar nenhum. A autopiedade, para ser justificada, nos toma um tempo enorme na construção de argumentos e motivos para nos 5 entristecermos com uma coisa absolutamente natural: nossas dificuldades.

Não vale a pena perder tempo se queixando dos obstáculos que têm de ser superados para sobreviver e para crescer. É melhor ter pena dos outros e tentar ajudar os que estão perto de você e precisam de 10 uma mão amiga, de um sorriso de encorajamento, de um abraço de conforto. Use sempre suas melhores qualidades para resolver problemas, que são: capacidade de amar, de tolerar e de rir.

Muitas pessoas vivem a se queixar de suas condições desfavoráveis, culpando as circunstâncias por suas dificuldades ou 15 fracassos. As pessoas que se dão bem no mundo são aquelas que saem em busca de condições favoráveis e se não as encontram se esforçam por criá-las. Enquanto você acreditar que a vida é um jogo de sorte vai perder sempre. A questão não é receber boas cartas, mas usar bem as que lhe foram dadas.

(Dr. Luiz Alberto Py, in O Dia, 30/4/00)

172) Segundo o texto, evitamos a autopiedade quando:

a) aprendemos a nos comportar em sociedade.

b) nos dispomos a ajudar os outros.

c) passamos a ignorar o sofrimento.

d) percebemos que não somos os únicos a sofrer.

e) buscamos o apoio adequado.

173) Para o autor, o mais importante para a pessoa é:

a) perceber o que ocorre à sua volta.

b) ter pena das pessoas que sofrem.

c) buscar conforto numa filosofia ou religião.

d) esforçar-se para vencer as dificuldades.

e) estar ciente de que, quando menos se espera, surge a dificuldade.

174) A autopiedade, segundo o autor:

a) é uma doença.

b) é problema psicológico.

c) destrói a pessoa.

d) não pode ser evitada.

e) não conduz a nada.

175) A vida é comparada a um jogo em que a pessoa:

a) precisa de sorte.

b) deve saber jogar.

c) fica desorientada,

e) geralmente perde.

e) não pode fazer o que quer.

176) A superação das dificuldades da vida leva:

a) àpaz

b) à felicidade

c) ao equilíbrio

d) ao crescimento

e) à auto-estima

177) Os sentimentos que levam à superação das dificuldade são:

a) fé, tolerância, abnegação

b) amor, desapego, tolerância

c) caridade, sensibilidade, otimismo

d) fé, tolerância, bom humor

e) amor, tolerância, alegria

178) Para o autor:

a) não podemos vencer as dificuldades.

b) só temos dificuldades por causa da nossa imprevidência.

c) não podemos fugir das dificuldades.

d) devemos amar as dificuldades.

e) devemos procurar as dificuldades.

TEXTO XXXIV

ESPERANÇAS

Apesar de 4 bilhões de pessoas viverem na pobreza, entre os seis bilhões de habitantes da Terra, as pessoas simples continuam a acreditar num futuro melhor. Não importa se esse sentimento brota da emoção, da fé ou da esperança.

5 O importante é ressaltar que a crise de uma concepção científica do mundo abre, agora, a perspectiva de que os caminhos da história não sejam apenas aqueles previstos pelas largas avenidas das ideologias modernas.

Os atalhos são, hoje, as vias principais, como o demonstram o 10 Fórum Social de Porto Alegre e a força das mobilizações contra o atual modelo de globalização. Assim como o aparente perfil caótico da natureza ganha um sentido evolutivo e coerente na esfera biológica, do mesmo modo haveria um nível - que o Evangelho denomina amor - em que as relações humanas tomam a direção da esperança.

15 É verdade que, com o Muro de Berlim, ruiu quase tudo aquilo que sinalizava um futuro sem opressores e oprimidos. Agora as leis do mercado importam mais do que as leis da ética.

Mas, e a pobreza de 2/3 da humanidade? O que significa falar em liberdades quando não se tem acesso a um prato de comida? Esta é a 20 grande contradição da atual conjuntura: nunca houve tanta liberdade para tantos famintos! Mesmo os povos que no decorrer das últimas décadas não conheceram a pobreza e o desemprego agora se deparam com esses flagelos, como ocorre nos países do leste europeu.

A ironia é que, hoje, aqueles povos são livres para escolher 25 seus governantes, podem circular por suas fronteiras e manifestar suas discordâncias em público. Mas lhes é negado o direito de escolher um sistema social que não assegure a reprodução do capital privado.

(Frei Beto, in O Dia, 19/8/01)

179) O texto pode ser entendido como um manifesto contrário ao:

a) presidencialismo

b) parlamentarismo

c) comunismo

d) socialismo

e) capitalismo

180) “Nunca houve tanta liberdade para tantos famintos.” No trecho destacado, o autor questiona o valor:

a) da globalização

b) da democracia

c) das políticas econômicas

d) das privatizações

e) do governo

181) No texto, só não há correspondência entre:

a) esse sentimento (/. 3) e crença num futuro melhor (/. 2)

b) atalhos (/. 9) e Fórum e força das mobilizações (/. 9)

c) aparente perfil caótico (/. 11) e sentido evolutivo (/. 12)

d) Muro de Berlim (/. 15) e opressores e oprimidos (/. 16)

e) seus governantes (/. 25) e lhes (/. 26)

182) Segundo o autor, os povos do antigo bloco comunista do leste europeu:

a) continuam sem liberdade de expressão.

b) hoje são mais felizes porque são livres.

c) são irônicos, apesar de livres.

d) não são totalmente livres.

e) sofrem com a ironia do governo.

183) O sinônimo adequado para “ressaltar” (/. 5) é:

a) demonstrar

b) dizer

c) destacar

d) apontar

e) afirmar

184) O grande paradoxo do mundo atual seria:

a) simplicidade - esperança

b) concepção científica - fé

c) liberdade - fome

d) esfera biológica - amor

e) sistema social - capital privado

185) “É verdade que, com o Muro de Berlim, ruiu quase tudo aquilo que sinalizava um futuro sem opressores e oprimidos.” Só não há paráfrase do trecho destacado acima em:

a) Com o Muro de Berlim, certamente, caiu tudo que apontava para um futuro sem opressores e oprimidos.

b) É certo que vieram abaixo, com o Muro de Berlim, todas as coisas que sinalizavam um futuro sem opressores e oprimidos.

c) Com a queda do Muro de Berlim, na verdade, veio abaixo tudo aquilo que apontava para um futuro sem opressores e oprimidos.

d) É verdade que, por causa do Muro de Berlim, veio abaixo tudo que sinalizava um futuro sem opressores e oprimidos.

e) Ruiu, certamente, com o Muro de Berlim, tudo aquilo que sinalizava um porvir sem opressores e sem oprimidos.

TEXTO XXXV

O solvente, segundo a onda terrorista espalhada no país, é uma espécie de veneno químico que inescrupulosos donos de postos e distribuidoras mal-intencionadas deram de adicionar à gasolina. Com isso, esses bandidos estariam lesando os concorrentes (porque pagam barato 5 pelos adulterantes), os cofres públicos (porque os impostos significam 70% do custo da gasolina; mas são baixos quando aplicados diretamente sobre os solventes) e o consumidor, já que os produtos estranhos teriam uma atuação demoníaca na saúde do motor e dos componentes do carro, roendo mangueiras e detonando – no pior dos sentidos – o sistema de 10 combustão. Pior: quando adicionado por especialistas, o solvente quase não deixa pistas. É indetectível em testes simples e imperceptível durante o funcionamento do veículo.

Para cercar esse inimigo, QUATRO RODAS recorreu ao Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo, o insuspeito IPT. Na tentativa de 15 flagrar postos que estivessem misturando substâncias estranhas à gasolina, repórteres coletaram amostras de combustível Brasil afora, para submetê-las à cromatografia, um método capaz de revelar cada componente de uma amostra, bem como a quantidade de cada elemento na mistura. No primeiro lote, de doze amostras reunidas numa viagem 20 entre Buenos Aires e São Paulo, uma revelação esperada: segundo o laudo do IPT, quatro delas estavam adulteradas pela presença de solventes em proporções acima das encontradas na gasolina de referência da refinaria Replan, de Paulínia, a 117 quilômetros da capital paulista.

(D. Schelp e L. Martins, na Quatro Rodas, março/00)

186) Segundo o texto:

a) a gasolina brasileira é sempre adulterada nos postos de gasolina.

b) a gasolina argentina é superior à brasileira.

c) os donos de postos de gasolina e, principalmente, distribuidoras mal-intencionadas têm adicionado solventes à gasolina.

d) a situação é mais grave se o solvente é adicionado sob a orientação de pessoas que detenham uma técnica apurada.

e) a situação é tão grave que nem a cromatografia tem sido capaz de mostrar a adulteração da gasolina.

187) Depreende-se do texto que o IPT:

a) não tem estrutura para resolver o problema.

b) deveria usar a cromatografia.

c) dispõe de repórteres capazes de fazer a coleta de gasolina.

d) examina as amostras coletadas em postos de gasolina.

e) fica situado a 117 quilômetros da cidade de São Paulo.

188) A revista recorreu ao IPT porque:

a) ele é um instituto insuspeito.

b) ele fica em São Paulo, ponto final da viagem dos repórteres.

c) a gasolina de referência é a da Replan.

d) os cofres públicos estão sendo lesados.

e) testes simples não podem resolver o problema.

189) A alternativa em que se substituem, sem alteração de sentido, os elementos conectores “segundo” (/. 1), “com isso” (/. 3), “já que” (/. 7) e”para”(/. 13) é:

a) conforme, apesar disso, porque, a fim de

b) consoante, dessa forma, uma vez que, a fim de

c) consoante, assim, uma vez que, por

d) não obstante, dessa forma, porquanto, a fim de

e) conforme, aliás, uma vez que, por

190) Segundo o texto:

a) a gasolina não pode ter nenhum tipo de solvente.

b) há mais gasolina adulterada no Brasil, na faixa entre Buenos Aires e São Paulo.

c) por detonar o sistema de combustão, os bandidos lesam os concorrentes, os cofres públicos e o consumidor.

d) o IPT não seria o instituto adequado para fazer a avaliação da gasolina, por ser insuspeito.

e) o resultado da pesquisa encaminhada ao IPT não causou estranheza aos elementos envolvidos.

191) Com base nas idéias contidas no texto, pode-se afirmar que:

a) solvente é sempre veneno químico.

b) terroristas estão adulterando a gasolina.

c) donos de postos de gasolina são inescrupulosos.

d) os solventes adicionados à gasolina são baratos, por isso os bandidos levam vantagem sobre os concorrentes.

e) durante a viagem entre Buenos Aires e São Paulo, os repórteres desconfiaram da presença de gasolina adulterada em seu carro.

192) “...deram de adicionar à gasolina.” (/. 3) Por “deram de”, entende-se:

a) começaram a

b) acostumaram-se a

c) insistem em

d) precisam

e) desejavam

193) De acordo com o texto, a gasolina ideal:

a) leva poucos solventes.

b) não leva solventes.

c) é a da Replan.

d) não rói mangueira.

e) é a mais barata.

TEXTO XXXVI

OS UMBRAIS DA CAVERNA

RIO DE JANEIRO - Não sei por que(*), mas associei duas declarações da semana passada, feitas no mesmo dia, mas separadas por espaço e objetivo.

No Brasil, o presidente da República declarou que “já vamos 5 transpor os umbrais do atraso”. No Afeganistão, um tal de Abdul Rahman, ministro do novo governo que ali se instalou, acredita que o país será invadido por turistas de todo o mundo interessados em conhecer Tora Bora e Candahar.

Louve-se o otimismo de um e de outro. Sempre ouvi dizer que 10 o otimista é um cara mal-informado. As duas declarações, juntas ou separadas, são uma prova. Os umbrais do atraso que FHC anuncia transpor e os encantos turísticos do Afeganistão são boas intenções ainda distantes da realidade. Certo que não faltam progressos em nossa vida como nação e povo, mas o quadro geral ainda é lastimável, 15 sobretudo pela existência de dois cenários contraditórios - um cada vez mais rico e outro cada vez mais miserável.

Os umbrais que separam a riqueza da miséria não serão transpostos com as prioridades que sete anos de tucanato estabeleceram para o país. Quando Maria Antonieta perguntou por que o povo não comia 20 bolos à falta de pão, também pensava que a monarquia havia transposto os umbrais do atraso.

Quanto ao interesse de as cavernas de Tora Bora provocarem uma invasão de turistas, acho discutível esse tipo de atração. Reconheço que há exageros na massificação do turismo internacional, mas não a esse 25 ponto.

Em todo o caso, não custa abrir um crédito de esperança para as burras do erário afegão. Se o ministro Abdul Rahman contratar um dos nossos marqueteiros profissionais, desses que prometem eleger um poste para a Presidência da República, é possível que muita gente vá conhecer 30 as cavernas onde ainda não encontraram Osama bin Laden.

(Carlos Heitor Cony, na Folha de São Paulo, 13/1/02)

*A palavra aparece assim na edição eletrônica da Folha. No entanto, deve ser acentuada (quê).

194) O autor não acredita:

a) na boa intenção do presidente da República.

b) que o Afeganistão será invadido por turistas de todo o mundo.

c) que o ministro afegão seja otimista.

d) que o otimista é um cara mal-informado.

e) em semelhanças entre as declarações de FHC e Abdul Rahman.

195) Maria Antonieta é comparada a:

a) Abdul Rahman

b) turistas de todo o mundo

c) Tora Bora

d) FHC

e) um cara mal-informado

196) “...não custa abrir um crédito de esperança para as burras do erário afegão.” Neste trecho, “as burras do erário afegão” significam:

a) as pessoas ignorantes do Afeganistão

b) os animais de carga do Afeganistão

c) os cofres do tesouro do Afeganistão

d) o dinheiro da iniciativa privada do Afeganistão

e) o dinheiro de empresas falidas do Afeganistão, confiscado pelo novo governo

197) Ao definir o otimista, o autor valeu-se de uma linguagem:

a) hermética

b) culta

c) chula

d) coloquial

e) ofensiva

198) Para o autor, tanto FHC como Abdul Rahman:

a) estão descontentes com a situação em seus países.

b) têm ampla visão social.

c) são demagogos.

d) não têm preparo para ocupar seus cargos.

e) são mal-informados.

199) Se levarmos em conta a afirmação de FHC, teremos de concluir que o Brasil:

a) não é mais um país atrasado.

b) continuará a ser um país atrasado.

c) levará muitos anos para se desenvolver.

d) em pouco tempo deixará de ser um país atrasado.

e) tem condições de ser um país adiantado.

200) No último parágrafo do texto, o autor utiliza uma linguagem:

a) metafórica

b) hiperbólica

c) irônica

d) leviana

e) pessimista

201) Para o autor, as declarações de FHC e do ministro só não têm em comum o fato de:

a) serem equivocadas.

b) partirem de pessoas otimistas.

c) serem despropositadas.

d) serem bem-intencionadas.

e) supervalorizarem a capacidade turística de seus países.

TEXTO XXXVII

TOLERÂNCIA

Quando o mundo se torna violento, buscamos uma explicação em que a compreensão se expresse em atos e palavras. Mas como explicar a tortura, o assassinato, a censura, o imperialismo ou o terrorismo, ferramentas favoritas dos repressores que querem evitar qualquer opinião 5 divergente?

Histórias recentes da América Latina, da Europa e do Oriente Médio comprovam tais fatos: é o caso de Cuba de Castro, do Peru de Fujimori e dos radicalismos políticos, de triste memória, da Argentina e do Brasil; é a incompreensão de protestantes e católicos, na Irlanda; é a 10 questão entre judeus e palestinos, que faz sangrar a Terra Santa. O fanatismo defensor de uma verdade aceita como única não é patrimônio exclusivo das ditaduras. Hoje os fundamentalismos religiosos, misturados a frustrações econômicas e sociais, são a expressão patológica de uma quebra de equilíbrio do universo. Como, então, enfrentá-los?

15 Não há melhor antídoto contra a conduta intolerante que a liberdade, conseqüência da pluralidade, que consiste em defender idéias próprias, mas aceitando que o outro possa ter razão. Precisamos reconhecer velhas verdades: a violência gera violência; todo poder é abusivo; o fanatismo é inimigo da razão; todas as vidas são preciosas; a 20 guerra jamais é gloriosa, exceto para os vencedores que crêem que Deus está ao lado dos grandes exércitos.

A solidariedade e a tolerância democrática, inexistentes no nosso tempo, implicam uma revolução em nossas mentalidades e na aceitação do que percebemos como diferentes, para se configurar uma 25 sociedade multicultural. Esses são os desafios éticos que deveríamos enfrentar, sem a arrogância dos países desenvolvidos e sem a marginalização dos subdesenvolvidos, afundados na miséria e na fome.

(Carlos Alberto Rabaça, em O Dia, 21 /11 / 01)

202) Para o autor, o maior problema do mundo atual é:

a) o fanatismo religioso

b) as ditaduras

c) a intolerância

d) a violência

e) a miséria

203) O autor faz alusão a problemas específicos de vários países. Aquele cujo problema é diferente do dos demais é:

a) Brasil

b) Irlanda

c) Argentina

d) Cuba

e) Peru

204) Com base nas idéias contidas no texto, pode-se afirmar que:

a) só as ditaduras aceitam uma verdade tida como única.

b) o fundamentalismo religioso não colabora com a queda do equilíbrio universal.

c) nada pode combater a intolerância de nossos dias.

d) tudo pode ser explicado, inclusive a intolerância.

e) o mundo atual não tem solidariedade e tolerância democrática.

205) Em sua função anafórica, o pronome relativo “que” (/. 16) refere-se no texto a:

a) antídoto

b) pluralidade

c) idéias

d) conduta

e) liberdade

206) Não são elementos antagônicos:

a) Brasil / Argentina

b) protestantes / católicos

c) judeus / palestinos

d) arrogância / marginalização

e) conduta intolerante / liberdade

207) “Expressão patológica” (l. 13) é expressão:

a) deturpada

b) exagerada

c) cotidiana

d) mórbida

e) sombria

208) Segundo o texto, ser livre é:

a) fazer o que se quer.

b) valorizar as suas idéias, em detrimento das dos outros.

c) ter suas idéias e admitir as dos outros.

d) viver intensamente.

e) não se preocupar com a intolerância do mundo.

TEXTO XXXVIII

QUENTE E FRIO

Me dizem que, de acordo com uma convenção internacional, a torneira de um lado é sempre a da água quente e a do outro, logicamente, a da água fria. Mas nunca me lembro quais são os lados. Não usam mais os velhos Q e F, imagino, para não descriminar* os analfabetos, nem as 5 cores vermelho para quente e azul para fria, para não descriminar* os daltônicos. Mas e nós, os patetas? Também precisamos tomar banho.

Nunca nos lembramos de que lado é o quente e de que lado é o frio e estamos condenados a sustos constantes ou então a demorada experimentação até acertar a temperatura da água. Isso quando os 10 controles não estão concentrados numa única supertorneira de múltiplas funções, na qual você pode escolher volume e temperatura numa combinação de movimentos sincronizados depois de completar um curso de aprendizagem do qual também sairá capacitado a pilotar um Boeing.

A verdade é que existe uma conspiração para afastar do mundo 15 do consumo moderno as pessoas, digamos, neuronicamente prejudicadas. Em alguns casos a depuração foi longe demais e o resultado é que hoje existem, comprovadamente, apenas dezessete pessoas em todo o mundo que sabem programar o timer para gravação num videocassete. Destas, quinze só revelam o que sabem por muito dinheiro, 20 uma está muito doente e a outra se retirou para o Tibete e não quer ser incomodada. Na maioria dos casos, no entanto, as instruções para uso são dirigidas a pessoas normais, com um mínimo de acuidade e bom senso - quer dizer, são contra nós! Mas eu já me resignara a não saber programar o timer, ou sequer saber o que era um timer, ou jamais usar a 25 tecla Num Lock com medo de trancar todos os computadores num raio de um quilômetro, desde que me sentisse confortável no mundo que eu dominava. Como, por exemplo, no chuveiro. E enta’o a modernidade chegou às torneiras, e quente e frio também se transformaram em desafios intelectuais. Quente é a da esquerda e fria é a da direita, é isso?

30 Ou é o contrário? É uma conspiração.

(Luís F. Veríssimo, em O Globo, 13/1/02)

* Escrita assim na página eletrônica consultada. O perfeito é discriminar.

209) O texto nos fala:

a) da inépcia de todos os analfabetos

b) do problema dos daltônicos

c) da dificuldade em se decidir entre água fria e água quente

d) da dificuldade trazida pela modernidade

e) do caráter obsoleto de determinados aparelhos domésticos

210) O tom predominante no texto é de:

a) perplexidade

b) humorismo

c) decepção

d) realismo

e) determinismo

211) O texto é formado a partir de hipérboles. Assinale o trecho que não denota nenhum tipo de exagero.

a) “Nunca nos lembramos de que lado é o quente e de que lado é o frio...” (/. 7)

b) “...do qual também sairá capacitado a pilotar um Boeing.” (/. 13)

c) “...existem, comprovadamente, apenas dezessete pessoas em todo o mundo...” (/. 17/18)

d) “Mas eu já me resignara a não saber programar o timer...” (/. 23/24)

e) “É uma conspiração.” (/. 30)

212) Pelo visto, a supertorneira:

a) simplifica as coisas.

b) agrada a todos.

c) é mais um elemento complicador.

d) não apresenta grandes utilidades.

e) é uma peça totalmente inútil.

213) Embora brincando, o autor se inclui entre:

a) os analfabetos

b) os daltônicos

c) as pessoas neuronicamente prejudicadas

d) as pessoas normais

e) as que só revelam o que sabem por muito dinheiro

214) Para o autor, não se usam mais Q e F ou o vermelho e o azul para evitar:

a) que as pessoas tenham muitas coisas para decorar.

b) o crescimento do número de patetas.

c) que as pessoas neuronicamente prejudicadas fiquem sem entender o funcionamento das torneiras.

d) a marginalização de determinados indivíduos.

e) que as pessoas normais se sintam discriminadas.

215) O texto fala da dificuldade do autor no dia-a-dia. Assinale o que não se enquadra nesse caso.

a) o quente e o frio da torneira

b) o uso da supertorneira

c) dirigir um Boeing

d) o timer do videocassete

e) a tecla Num Lock

216) Na realidade, o problema do autor seria a falta de:

a) inteligência

b) paciência

c) humildade

d) concentração

e) memória

217) Que palavra pode substituir “acuidade” (l. 22) sem prejuízo do sentido original do texto?

a) originalidade

b) perspicácia

c) inteligência

d) vontade

e) persistência

218) Antes do desafio intelectual das novas torneiras, o autor se sentia:

a) tranqüilo

b) esperançoso

c) desanimado

d) um pateta

e) inseguro

219) O eufemismo é a figura que consiste em suavizar uma idéia desagradável. Assinale o trecho em que isso ocorre.

a) “Não usam mais os velhos Q e F...” (/. 3/4)

b) “Mas e nós, os patetas?” (/. 6)

c) “Também precisamos tomar banho.” (/. 6)

d) “...as pessoas, digamos, neuronicamente prejudicadas.” (/. 15/16)

e) “E então a modernidade chegou às torneiras...” (/. 27/28)

TEXTO XXXIX

COMO NASCEM, VIVEM E MORREM AS ESTRELAS?

A existência de um astro, que dura de 100 milhões a 1 trilhão de anos, passa por três fases: nascimento, meia-idade e maturidade.

“Todas as estrelas nascem da mesma forma: pela união de gases”, diz o astrônomo Roberto Boczko, da Universidade de São Paulo (USP). Partículas 5 de gás (geralmente hidrogênio) soltas no Universo vão se concentrando devido às forças gravitacionais que puxam umas contra as outras.

Formam, assim, uma gigantesca nuvem de gás que se transforma em estrela - isto é, um corpo celeste que emite luz.

A gravidade espreme essa massa gasosa a tal ponto que funde 10 os átomos em seu interior. Essa fusão é uma reação atômica que transforma hidrogênio em hélio, gerando grande quantidade de calor e de luz. Um exemplo de estrela jovem são as Pleiades, na Via Láctea, resultado de fusões que começaram há poucos milhões de anos.

Durante a meia-idade - cerca de 90% da sua existência -, a 15 estrela permanece em estado de equilíbrio. Seu brilho e tamanho variam pouco, ocorrendo apenas uma ligeira contração. É o caso do Sol, que, com 4,5 bilhões de anos, se encontra nessa fase intermediária de sua existência, sofrendo mínima condensação.

Quando a maior parte do hidrogênio que a com põe se esgota, 20 a estrela entra na maturidade - este sim, um período de drásticas transformações. Praticamente todo o hidrogênio do núcleo já se converteu em hélio. Com isso, diminui a fusão entre as moléculas de gás e começa um período de contração e aquecimento violentos no corpo celeste. A quantidade de calor e luz gerados é tão grande que o movimento se inverte: 25 o astro passa a se expandir rapidamente. Seu raio chega a aumentar 50 vezes e o calor se dilui. A estrela vira uma gigante vermelha. Um exemplo é Antares, na constelação de Escorpião - uma amostra de como ficará o Sol daqui a 4,5 bilhões de anos, engolindo todo o Sistema Solar.

Já na maturidade, a falta de hidrogênio torna-se crítica. Apesar 30 da rápida expansão, a fusão entre os gases diminui continuamente: o astro caminha para o seu fim. O modo como ele morrerá depende da sua massa.

Se ela for até duas vezes a do Sol, sua contração transformará o corpo celeste em um pequeno astro moribundo, cuja gravidade já não consegue segurar os gases da periferia. Mas se a massa for de duas a três vezes a do 35 Sol, a contração final será muito forte, criando um corpo celeste extremamente denso chamado pulsar, ou estrela de neutrons. Quando a massa é maior, a condensação final é mais violenta ainda e o núcleo do antigo astro vira um buraco negro - sua densidade é tão alta que ele não deixa nem a luz escapar. Simultaneamente, os gases da camada mais 40 periférica dessa estrela se transformam em uma supernova - massa de gás que brilha por pouco tempo até sumir de uma vez por todas.

(Superinteressante, agosto de 2001)

220) A ciência de que trata o texto se chama:

a) Biotecnia

b) Exobiologia

c) Astronomia

d) Astrologia

e) Ufologia

221) Segundo o texto:

a) nem todos os astros morrem.

b) as Pleiades são estrelas na fase da maturidade.

c) as estrelas nem sempre possuem luz própria.

d) o Sol ainda não entrou na fase da maturidade.

e) os astros têm um mesmo tipo de nascimento e morte.

222) “A gravidade espreme essa massa gasosa a tal ponto que funde os átomos em seu interior.” Se começarmos o período acima por “A gravidade funde os átomos em seu interior”, o elemento conector que deverá ser usado para que se mantenha a coesão textual e o sentido original é:

a) se bem que

b) contudo

c) porque

d) caso

e) a fim de que

223) Só não diz respeito à maturidade de uma estrela:

a) fase de grandes transformações

b) expansão rápida

c) conversão de hidrogênio em hélio

d) escassez de hidrogênio

e) aumento contínuo de calor, até a morte

224) Sobre Antares, com base no texto, não se pode afirmar:

a) é estrela na fase da maturidade.

b) situa-se na constelação de Escorpião.

c) é uma estrela vermelha.

d) Seu raio aumentou muito.

e) não pertence à Via Láctea.

225) Sobre o pulsar, podemos inferir que:

a) é um tipo de estrela de meia-idade.

b) é um astro que surge com a morte de uma estrela.

c) é o mesmo que buraco negro.

d) é um astro de massa semelhante à do Sol.

e) os gases de sua camada periférica transformam-se em uma supernova.

226) Com base nas idéias contidas no texto, só não se pode dizer que:

a) o tempo de vida dos astros é bastante variado.

b) toda estrela tem origem numa nuvem de gás.

c) a maior parte da vida de um astro é a meia-idade.

d) As Pleiades, o Sol e Antares têm em comum apenas o fato de serem estrelas.

e) uma estrela de neutrons é tão densa quanto um buraco negro.

227) Os dois pontos que aparecem depois de “continuamente” (/. 30) podem ser substituídos, sem alteração de sentido, por:

a) porque

b) e

c) mas

d) ou

e) à medida que

TEXTO XL

GRITOS DE INDEPENDÊNCIA

Comemora-se a independência do Brasil. Consta que não houve sangue, apenas o grito do Ipiranga, que marcou a ruptura com a tutela portuguesa, mantendo no poder o português D. Pedro I, que se proclamou imperador do Brasil, mas terminou seus dias como duque de 5 Bragança e figura, na relação dinástica, como o 28° rei de Portugal. Como se vê, na passarela da história, o samba não é o do crioulo doido.

Entre o fato e a versão do fato, a história oficial tende à segunda. Ainda hoje se discute se o grito decorreu do sonho de uma pátria independente ou da ambição de um império tropical. Ficou o grito parado 10 no ar, expresso nos rostos contorcidos das figuras de Portinari, no romanceiro de Cecília Meireles, na poesia agônica de Chico Burque, no coração desolado das mães brasileiras que enterram, por ano, cerca de 300 mil recém-nascidos, precocemente tragados pelos recursos que faltam à área social. O número só não é maior graças ao voluntariado da 15 Pastoral da Criança, monitorada pela doutora Zilda Arns.

O Brasil, pátria vegetal, ostenta o semblante de uma cordialidade renegada por sua história. Sob o grito da independência ressoam os dos índios trucidados pela empresa colonizadora, agora restaurada pela assepsia étnica proposta pelos integracionistas que julgam 20 as reservas indígenas privilégio nababesco. Ecoam também os gritos das vítimas indefesas de entradas e bandeiras, Fernão Dias sacrificando o próprio filho em troca de um punhado de pedras preciosas, bandeirantes travestidos de heróis da pátria pelo relato histórico dos brancos, versão barroca do esquadrão da morte rural, diriam os índios se figurassem 25 como autores em nossa historiografia.

Abafam-se, em vão, os gritos arrancados à chibata dos negros arrastados de além-mar, sem contar as revoltas populares que minam o mito de uma pacífica abnegação que só existe no ufanismo de uma elite que se perfuma quando vai à caça.

30 Pátria armada de preconceitos arraigados, casa-grande que traça os limites intransponíveis da senzala, na pendular política de períodos autoritários alternados com períodos de democracia tutelar, já que, neste país, a coisa pública é negócio privado. índios, negros, mulheres, lavradores e operários não merecem a cidadania, reza a prática daqueles 35 que sequer se envergonham de serem compatriotas de 50 milhões de pessoas que não dispõem de R$ 80 mensais para adquirir a cesta básica.

À galera, as tripas, marca indelével em nossa culinária, como a feijoada. Privatizam-se empresas e sonhos, valores e sentimentos, convocando intelectuais de aparência progressista para dar um toque de 40 modernidade aos velhos e permanentes projetos da oligarquia. Vale tudo frente ao horror de um Brasil sujeito a reformas estruturais. Os que querem governar a sociedade não suportam os que querem governar com a sociedade.

Destroçada e endividada, a pátria navega a reboque do 45 receituário neoliberal, que dilata a favelização, o desemprego, o poder paralelo do narcotráfico, a concentração de renda. Se o salário não paga a dívida, a vida parece não valer um salário. No Brasil, os hospitais estão : doentes, a saúde encontra-se em estado terminal, a escola gazeteia, o sistema previdenciário associa-se ao funerário e a esperança se reduz a 50 um novo par de tênis, um emprego qualquer, alçar a fantasia pelo consolo eletrônico das telenovelas.

Amanhecia em Copacabana quando Antônio Maria gritou: “Não sei por onde vou, mas sei que não vou por aí”. Não vou pelas receitas monetaristas que salvam o Tesouro oficial e apressam a morte dos pobres.

55 Vou com aqueles que sempre denunciam a injustiça, testemunham a ética na política, agem com escrúpulos, defendem os direitos indígenas, repudiam todas as formas de preconceitos, promovem campanhas de combate à fome, administram recursos públicos com probidade e lutam por uma nova política econômica. Vou com aqueles que, esta semana, 60 estarão mobilizados no Grito dos Excluídos, promovido pela CNBB, em parceria com entidades e movimentos populares. Nenhum país será independente se, primeiro, não o forem aqueles que o governam.

(Frei Beto, no Jornal do Brasil, 3/9/01)

228) Os sentimentos que melhor caracterizam o estado de espírito do autor são:

a) ódio e desequilíbrio

b) medo e pessimismo

c) insegurança e descontrole

d) revolta e angústia

e) apatia e resignação

229) Para o autor, a história do Brasil é apresentada aos brasileiros:

a) de forma realista

b) com poucos detalhes

c) com preconceito

d) cortada

e) mascarada

230) O trecho que justifica a resposta ao item anterior é:

a) “Comemora-se a independência do Brasil.”

b) “À galera, as tripas, marca indelével em nossa culinária, como a feijoada.”

c) “índios, negros, mulheres, lavradores e operários não merecem a cidadania...”

d) “Entre o fato e a versão do fato, a história oficial tende à segunda.”

e) “O número só não é maior graças ao voluntariado da Pastoral da Criança.”

231) O autor duvida:

a) do futuro do Brasil

b) dos artistas brasileiros

c) da independência do Brasil

d) das revoltas populares

e) de Antônio Maria

232) “Os que querem governar a sociedade não suportam os que querem governar com a sociedade.” Esse trecho sugere a dicotomia:

a) governo militar / governo civil

b) comunismo / capitalismo

c) presidencialismo / parlamentarismo

d) monarquia / república

e) ditadura / democracia

233) A autêntica história brasileira nos diz que o Brasil não é um país:

a) cordial

b) de futuro

c) forte

d) injusto

e) de bons escritores

234) “Não sei por onde vou, mas sei que não vou por aí”. Por esse trecho, pode-se entender:

a) a dúvida de alguém que não sabe que decisão tomar

b) a revolta diante de uma situação aceita por todos i

c) a esperança e a certeza da mudança

d) a não-aceitação do que ocorre no momento

e) o desespero por não poder fazer alguma coisa pelo país

235) “À galera, as tripas, marca indelével em nossa culinária, como a feijoada.” A palavra “indelével”, no trecho acima, significa:

a) que não se pode desejar

b) que não se pode apagar

c) que não se pode aceitar

d) que não se pode explicar

e) que não se pode prever

236) Os maiores problemas do Brasil, na atualidade, são creditados:

a) ao grito de independência

b) ao ufanismo da elite

c) à privatização das empresas

d) ao neoliberalismo

e) ao Tesouro oficial

237) Segundo o autor, os intelectuais de aparência progressista são convocados para:

a) melhorar a imagem do governo no exterior.

b) integrar o Brasil na globalização.

c) desviar a atenção do povo para coisas de somenos importância.

d) levar o povo a se interessar pelos problemas sociais e políticos do país.

e) levar o povo a achar que tudo está bem.

238) A palavra “oligarquia” (l. 40) significa governo:

a) de ricos

b) de nobres

c) de poucos

d) de muitos

e) do povo

239) Dentre os problemas do Brasil, o texto não faz menção:

a) à escravidão dos negros

b) à opressão dos índios

c) ao voto-cabresto do Nordeste

d) à discriminação da mulher

e) à fome do povo

240) A palavra que, metaforicamente empregada, melhor exprime a idéia do autor sobre a tirania do governo brasileiro é:

a) casa-grande

b) tripas

c) império

d) tutelar

e) telenovelas

241) Para o autor, o Brasil, na realidade, nunca foi ou teve:

a) monarquia

b) república

c) ditadura

d) capitalismo

e) democracia

242) O último parágrafo do texto difere dos demais pois nele o autor demonstra:

a) alegria por ser brasileiro

b) certeza da transformação próxima

c) convicção de que o governo está melhorando

d) esperança em um país melhor

e) indiferença diante dos problema da atualidade brasileira

PARTE IIIINTERPRETAÇÃO II

TEXTO XLI

PERITO CRIMINAL - SSP/MT

TRINTA ANOS DE UMA FRASE INFELIZ

Ele não podia ter arrumado outra frase? Vá lá que haja perpetrado grande feito indo à Lua, embora tal empreendimento soe hoje exótico como uma viagem de Gulliver. Mas Neil Armstrong, o primeiro astronauta a pisar na Lua, precisava ter dito: “Este é um passo pequeno 5 para um homem, mas um salto gigantesco para a humanidade”? Não podia ter se contentado com algo mais natural (“Quanta poeira”, por exemplo), menos pedante (“Quem diria, conseguimos”), mais útil como informação (“Andar aqui é fácil/difícil/gostoso/dói a perna”) ou mais realista (“Estou preocupado com a volta”)?

10 Não podia. Convencionou-se que eventos solenes pedem frases solenes. Era preciso forjar para a ocasião uma frase “histórica”. Não histórica no sentido de que fica guardada para a posteridade - a posteridade guarda também frases debochadas, como “Se eles não têm pão, comam brioches”. Histórica, no caso, eqüivale à frase edificante. É a 15 história em sua versão, velhusca e fraudulenta, de “Mestra da Vida”, a História rebaixada a ramo da educação moral e cívica. À luz desse entendimento do que é “histórico”, Armstrong escolheu sua frase. Armstrong teve tanto tempo para pensar, no longo período de preparativos, ou outros tiveram tempo de pensar por ele, no caso de a 20 frase lhe ter sido oferecida de bandeja, junto com a roupa e os instrumentos para a missão, e foi sair-se com um exemplar do primeiro gênero. Se era para dizer algo bonito, por que não recitou Shakespeare? Se queria algo inteligente, por que não encomendou a Gore Vidal ou Woody Allen?

(Roberto Pompeu de Toledo. Veja, 21/07/99)

243) O tema central do texto é:

a) a indignação pelos poucos dados enviados sobre a aventura da ida do homem à Lua.

b) a narrativa da aventura do primeiro homem a pisar na Lua.

c) a importância do acontecimento do homem ter chegado à Lua.

d) a discordância com respeito à frase escolhida para um momento grandioso.

e) o impacto da frase dita no momento em que o homem pisou na Lua.

244) A propósito do texto, o autor classifica a frase de Armstrong como infeliz, porque,

a) apesar de ter sido edificante, a frase não foi humilde.

b) apesar de ter sido bonita, a frase foi superficial.

c) apesar de ter ficado para a posteridade, a fase foi superficial, pedante, inútil e irreal.

d) apesar de ter sido solene, a frase foi exótica.

e) apesar de ter sido inteligente, a frase não foi edificante.

245) “...embora tal empreendimento soe hoje exótico como uma viagem de Gulliver.” O autor do texto expressa:

a) certa decepção, com o passar dos anos, quanto à ida do homem à Lua.

b) a importância capital que teve o evento para a humanidade.

c) o encantamento com que a ida do homem à Lua é vista até hoje.

d) a necessidade de que o homem volte à Lua.

e) certa incredulidade quanto à ida do homem à Lua.

246) Para Roberto Pompeu de Toledo, a frase em apreço deveu-se ao fato de que:

a) o astronauta recebeu a frase já pronta, junto com a roupa e os instrumentos para a missão.

b) Armstrong não teve tempo para pensar em algo melhor.

c) Armstrong foi motivado pela convenção de que eventos solenes pedem frases solenes.

d) Armstrong quis ser original, não copiando Shakespeare, Gore Vidal e Woody Allen.

e) o astronauta não acreditou no êxito da missão.

247) Na opinião do autor do ensaio,

a) só frases edificantes são históricas.

b) a frase de Armstrong revela uma visão ultrapassada da História.

c) só frases bonitas ou inteligentes são históricas.

d) eventos solenes pedem” frases solenes.

e) a frase de Armstrong foi rapidamente esquecida.

248) A figura de linguagem encontrada na fase “Com muito suor o funcionário conseguiu a promoção” é:*

a) catacrese

b) prosopopéia

c) sinestesia

d) metonímia

e) metáfora

Esta questão da prova não tem base no texto.
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André Carvalho

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Re: 800 questões sobre Interpretação de texto.

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